Thursday, July 30, 2009

Há Gosto II


virgínia além mar



Já há neblina em torno da lua, bem queria sair alguns dias, passear ao sol, ficar à toa na rua e esquecer de noites tão frias .

Resguardo-me em raiz, preparando as flores do porvir, mas treme em branco a folha sem versos, enquanto as mãos ocupam-se do chá.

A previsão é de mais chuvas meus amigos e, eu não tenho mais um cão a esperar-me com a alegria que faz esquecer que agosto é chegado. Foi no dia quatro, de um agosto que, sem gosto, meu pai se foi, deixando vazia minha boca de palavras e a chapa do fogão...

Eram bons tempos aqueles de inverno, retornávamos da viagem de férias e ele reunia amigos na cozinha de fora onde havia o fogão rústico à lenha , para vinho, estórias, risadas e cozido de peixes. Enfiava-me entre eles, como mais uma mascote , fazia de tudo para penetrar as reuniões, xeretar as conversas instigantes que versavam sobre os mais diversos assuntos.

Tudo era quente e incrivelmente vivo naquela casa, quando era ainda criança; No jardim enorme, os bancos ao sol, as frutíferas, o telhado pelo qual adora passear... Havia também um gato vagabundo de pelo listrado, ou era uma gata? Como o cão pareceu e foi ficando ganhando nossa admiração.

Vai chover e, não quero molhar os pés nas poças de ausências, desejo um amanhã com o sorriso dos tempos de sopa de peixe e pão quentes e, se possível, um livro de estória para colorir e acordar as sementes do amanhã.
vídeo do trecho do Musical da Broadway Cats ; Na década de 1970, já 10 anos após a morte de T.Eliot. ( patrono do nosso grupo artefilospsipoesia), o então jovem Andrew Lloyd Webber musicou alguns dos Poemas sobre gatos do Poeta Thomas Stearns Eliot, modernista, dramaturgo que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1948. Acrescendo a estes um roteiro que veio a tornar-se a grandiosa obra Musical Cats . Memory é a música mais conhecida e de maior sucesso do musical e uma das minhas prediletas . Ela desabrocha da minha memória em momentos singulares. A peça em resumo trata-se de numa noite especial do ano em que todos os gatos se encontram no Jellicle Ball. Lá, o líder sábio e benevolente, Old Deuteronomy, anuncia qual deles irá para um lugar chamado Heaviside Layer, onde renascerá uma nova vida Jellicle. ( Jellicle ( a palavra só os gatos entendem o significado). Entre os personagens mais marcantes estão Munkustrap, o narrador da história, e Grizabela, the glamour cat.

A crônica encontra-se também no Blog do Discutindo Literatura -
http://discutindoliteraturacronicas.blogspot.com/2009/07/ha-gosto-ii.html
para rever outros espetáculos - http: //www. reallyuseful.com/shows/cats/the-film-1

Saturday, July 25, 2009

Muito obrigada Vânia Moreira Diniz



Muito obrigada Vânia Moreira Diniz

*virgínia além e ao mar

Grandiosa como já a cantei em versos é nossa amizade e mútua estima, regada com as cores de admiração recíproca.
Nestes dez anos do VMD Portal e da nossa parceria jamais tivemos qualquer dissonância ou resguardo quanto a tecer estimulo e solidariedade poética.
Nossas almas sedentas da acolhida desinteressada produziu no solo fértil da amizade perenes e frondosas árvores, delas colhemos frutos doces.

Entre tormentas e viagens minha nau encontrou motivos de seguir em frente na jornada literária graças ao feliz encontro com tuas tranquiliade advinda da experiencia nesta rota.

És e serás sempre minha Flôr de Copacabana, aquela que batizou-me na nova vida com sais do oceano amado,quando distante e impossibilitada de com este estar.
Meu retorno acompanhaste e o sabes nada brando quando uma âncora de dimensões desproporcionais atavam a nau ao porto.
Tua nau ( linguagem)em minha direção foi também como o vento sul que com a ressaca arrancou corrente, içou velas e pôs-me a navegar em alto mar da linguagem poética, quando desafiaste-me , gentilmente, para estar entre os Colaboradores do Site(Portal), com honrosa participação entre os Autores Convidados com minha Coluna Considerações. Ao teu Convite a tantos anos , assustou muito e tentei ser eficiente embora o tempo escasso e minha pouquíssima experiência textual, apesar de conteúdo faltava-me a forma, a dedicação , com minha escrita dionísica e emocionada adentrei aos poucos e ainda lentamente no jardim apolíneo.

Quando a quase dois anos premiaste-me com a coordenação do Canal de Filosofia no Espaço Ecos dentro do Portal VMD, num gesto de confiança em meus olhares sobre a Filosofia e os Filósofos amigos. Conheces o que realmente me encanta de maneira ímpar; o compartilhar da sincera busca por uma vida mais plena e quiçá menos sofrida, o que na minha experiência a Filosofia é essencial a todo sujeito que possui a capacidade ainda, de admirar-se com o que há de humano em nossa complexa condição.
Portanto a ti minha amiga Vâninha, ( manamiga) que faz uso das letras com exímia maestria, pois utiliza a linguagem com toda sua força, como ferramenta de comunicação com o outro, enquanto outro, minha admiração e mais profundo agradecimento.

Friday, July 24, 2009

E S CRE VER ...


Escrever é juntar letrinhas e sentimentos, entre-laçar pontos, linhas, saltar distâncias, fazer um bordado, atravessar paralelas curtinhas, juntar figuras de linguagem, dançar um lindo balé, voar mais alto ver como os gaviões,lamber areia feito mar, tirar sons de castanholas de velhos teclados, desenhar sonhos e correr feito rio ...

Escrever é sentir nos pulmões ventanias, soprar o aroma das manhãs e
é deixar escorrer o néctar do coração,purgar salivas ancestrais espremer e esticar o cérebro...

Escrever é aconchegar –se, brincar na areia e nas tardes de sábado construir castelares pulsões ...

Escrever é rolar entre as folhas do outono, beijar flores, respingar orvalho sobre os lençóis e fazer amor com a humanidade...

Escrever é aprender a calma das pedras, a beleza das nuvens e cantá-las fazendo-se ouvir em silêncio, despertando as próprias canções do leitor.

Escrever é apurar ouvido e escutar sinfonias dos gramados, riachos, colinas, florestas...E ainda navegar, flutuar com velas içadas entre canais estreitos e mar aberto e, em águas profundas desvendar mistérios dos mares de si...

Escrever é das estrelas tentar aprender rumos para perder-se de si e reencontrar o luar...

Escrever é permitir a si e ao outro o baile do florescer primaveril e dançar nas nuvens de algodão....

Escrever é enamorar-se das fronhas que sabem guardar segredos... Talvez escrever seja mais, talvez menos...
Entretanto, es-crê-ver é sempre um devir infância, uma afirmação da vida ! - 24 de julho 2007 -

e as coisas “dançam nos pés do acaso” -F.Nietzsche...




Thursday, July 23, 2009

PRAZER


virgínia além mar
Aprendemos a melhor olhar no fundo da alma o que arde, quando abraçamos as oníricas mensagens sem medo de refazemos a viagem.

O que deseja o verbo que penetra o não tempo nos dizer?Disse Camus que quem viveu um só dia poderia passar o resto de sua vida em uma prisão...

Um bem querer e, o que não foi dito ou prometido, sobre o amor eterno, borda o avesso e costura começos. Jamais saberemos do que não foi. Se uma carícia verdadeira aconteceu, ela continua a crescer dentro da gente , não como uma doença , mas como o lenitivo à falta das flores de maio ...
Caricias sinceras, desprovidas de temor, regeneram o passeio que vai da fonte ao mar. Restauram o pulsar do peito que produz o bater das asas e, levam-nos a ver-viver a beleza visível e adivinhar a que se oculta.Teu gosto por mim me faz mel. Despertou-me do silêncio com liberdade e com este desejo e liberdade que me ofereço às manhãs.

Já faz algum tempo que me tornei cálice a ser preenchido e bebido,aos prazeres possíveis deitar ouvidos e, com a música me livrar de mim mesma.
imagem Michelangelo Caravaggio

Sunday, July 19, 2009

sobre amizades, destinos e a seiva da vida


- As coisas e os animais são o que são e permanecem o que são. Mas o homem será o que ele decidiu ser. O seu modo de ser, a existência, é um sair para fora em direção à decisão e à automoldagem. Assim, a existência é um poder-ser e, portanto, é incerteza, problematicidade, risco, decisão, impulso adiante. Este impulso pode ser em direção a Deus, ao mundo, ao próprio homem, a liberdade, ao nada..- Jean-Paul Sartre- da Liberdade à Consciência

Um amigo é capaz de nos fazer sentir imensamente maior do que somos. Percebe-nos apesar e além de nós mesmos. Tive um que entre todos foi crucial na construção de alguma consciência sobre mim mesma. Em seu pequeno apartamento havia um jardinzinho de inverno que separava da grande biblioteca. Nesta havia tudo o que se poderia desejar sobre filosofia e ciência. Inclusive manuscritos. Frente a imensidão de seus conhecimentos perguntei-lhe se havia lido todos aqueles livros, pois era jovem, éramos jovens na época, respondeu-me afirmativamente , perguntei-lhe como isto fora possível , ele argumentou que havia permanecido hospitalizado devido a um acidente e teve oportunidade de dedicar-se à leitura...Foi aí que passei a entender que havia passado por grande sofrimento e, que este o havia transformado , passei a compreender seus silêncios e sua calma frente a situações adversas. Estaria livre do medo da morte que torna-nos ansiosos, presunçosos por vezes , seria ele um guerreiro! Entregou-me a chave e com ela abri a caixa de pandora.
Mas o que eu gostaria de relembrar é que Beija Flores possuem um vôo peculiar, suas asas modificadas em mãos, não voam com o antebraço como as demais aves. Jamais caminham no solo, apenas utilizam seus pés para arrastarem-se nos galhos. Com sua impressionantemente agilidade, são as principais aves polinizadoras. Aprendi, lendo o trabalho do biólogo André Russchi ;que de todos os polinizadores são os únicos vetores entre populações vegetais distantes funcionando como um correio genético.
Pessoas Beija Flores são assim , amigos que polinizam o desejo , fecundam nossa mente e coração, agem de forma dêspretensiosa , esquecem o que doam , cumprem um destino que alinha liberdade à consciência , natureza e cultura dando-nos a impressão de que estão, apesar de distantes sempre ao nosso lado, parece que um ninho em nosso cérebro acomodaram e ovos ali foram deixados aos nossos cuidados.

Abraço junto ao peito teu canto / nesta hora em que o sol espia/ Deixo-me estar no veloz movimento/do peito e asas do Beija Flor /a beleza complexa do verde- lilás/reluzente amplia o espaço/ no caos uma ordem cresce em silencio/costurando no invisível o arrebatamento/ Ele , o pássaro e, sempre ele conduz-me ao infinito.../ Sumindo, assim como veio sequioso do mel em teu seio, oh flor.../Em despedidas doamos vida e ganhamos céus...

Para finalizar lembro de um diálogo entre S Guimarães e Paulo Freire sobre aprendizagem -Até entre os peixes a gente encontra os que pulam e saltam cascatas acima. -Exato, aprenderam. E só há um caminho para isso, essa sabedoria é a prática quem dá. –

IMAGEM FONTE INTERNET

Wednesday, July 15, 2009

Viajantes entre filosofias, ciências e poesias...

Em direção aos astros seguimos na busca de conhecimento, salvação e de nós mesmos.

A Filosofia da Ciência quer compreender a diferença entre empirismo e racionalismo. Entender as perspectivas realista e anti-realista também perceber como a ciência compreende o conceito de verdade. A ciência está à serviço da solução dos problemas da humanidade, assim como demais áreas do conhecimento.
Édipo foi representado na arte da antiga Grécia com um grande chapéu de peregrino viajante, apoiando-se em um bastão por causa de sua dificuldade de andar e, simbolizava o filósofo na busca pela verdade. Diferenciava-se dos demais heróis gregos por sua racionalidade. Édipo dispensava crenças sobrenaturais e amuletos em sua jornada. Decifrou o enigma imposto pela esfinge golpeando o peito com seu punho, desta forma admitindo em si mesmo estar a resposta à questão.Aos olhos dos Poetas e de alguns cientistas, o satélite que no imaginário possui atributos femininos, continuou e continuará intocável, enigmático como a mulher proibida... ?A Apollo 11 teve seu lançamento as 09h32min da manhã do dia 16 de Julho de 1969. Pousou às 16h18 mim do dia 20 de Julho.Todo homem cientista ou não busca pela ordenação... Li certa vez Rubem Alves em sua obra Filosofia da Ciência - Introdução ao jogo e a suas regras "o homem foi capaz de manipular as estrelas, os planetas e os satélites"...Penso que raros entre nós serão privilegiados de viajar em ônibus espaciais e que ainda está longe o tempo em que poderemos habitar outros solos, e declarar como Armstrong- "O céu está cheio de estrelas. Parece uma noite na Terra”.Afinal, o que são quarenta anos diante ao tempo das estrelas? Que corpos e horizontes podemos almejar? Estamos buscando em peregrinações a verdade, solucionar os enigmas da criação do universo ou estamos a recriá-los através de várias perspectivas? A imaginação não pode ser refutada mesmo no campo das ciências. Lembremos que os erros científicos não são divulgados, o que reforça sua credibilidade e a mística em torno dos cientistas que os faz parecer superiores aos demais.
Creio necessário pousar um olhar crítico sobre a ciência e questioná-la sobre o quanto esta tem contribuindo para minimizar os sofrimento e as miséria da condição humana.Quais conquistas estará a gabar-se a humanidade em 2049 ? Como estará o transito terrestre ? Nossa fina camada de atmosfera quanto suporta de tráfego aéreo ?Sou leiga demais para ousar, sequer adentrar em assuntos desta natureza, então ingênua e poeticamente, saúdo àqueles que viram a linda terra no horizonte lunar e, por seus registros nos foi possível vê-la em sua radiante face azul. Surpreendentemente magnífica, enigmática e desejada ... Vistos à distância os corpos provocam nossa imaginação de forma espetacular! Viajantes estamos, o que me faz lembrar do Poema Zen “Um dia podemos descobrir que toda viagem é,de algum modo, uma peregrinação em busca de um lugar que é o coração do viajante.Seu destino é a sua realidade interior.Mas faz parte do ritual, busca de lugares distantes, onde seu coração sempre vai desejoso de um encontro que nem sempre acontece.”
imagem- terra vista no horizonte luar -

Sunday, July 12, 2009

Parabéns Discutindo Literatura por seus Quatro anos


Com uma inquietude e senso investigatório notável encontrei Luciana.
Sua inteligência e sensibilidade agregou em sua Comunidade no Orkut;
Discutindo Literatura, mentes de extraordinária competência. Encontrei neste espaço abertura às discussões e sobretudo à escuta indispensável ao diálogo, como disse Paulo Freire nem sempre o diálogo implica em perguntar e responder... A Discutindo Literatura é um acontecimento que promove encontros. Diante de alguns Entrevistados na Comunidade, enquanto em silêncio lemos ( ouvimos ) a dialógica está acontecendo. Além das Estrevistas excelentes a dinâmica da comunidade abre-se como um leque de criatividade, instigando os participantes a compartilhar suas produções literárias, estejam publicadas ou não, estimulando e desafiando a todos a levarem mais a sério seus sonhos e projetos.
Como hoje a Discutindo Literatura completa, com sucesso seus quatro anos de existência, resistindo através do esforço incansável de sua criadora , que além das acima mencionadas qualidades, agrega em sua personalidade uma leveza e luminosidade cativante, não menor que sua simplicidade e vontade de fazer amigos , quero registrar meus sinceros parabéns.
Tão válidas iniciativas são raras nestes tempos de visibilidade individual.
Sou imensamente agradecida por encontrar-me entre os participantes da Comunidade, que também promove amizades pois nesta cultiva-se um pouco ainda, do desinteresse e real vontade de acrescentar conhecimentos e divulgar sem reservas a cultura e, um fazer de laços afetivos que transcendem a si mesma, numa constante tentativa de avanço à espaços não só gregários. Assim sinto-me à vontade para saudar Luciana e agradecer –lhe por tudo quanto nos enriquece, assim como aos participantes que com ela tornam possível o andamento deste projeto merecedor de respeitável reconhecimento .

Saturday, July 11, 2009

Tempo Nietzsche e Magritte





"A intranqüilidade moderna. – À medida que andamos para o Ocidente, se torna cada vez maior a agitação moderna, de modo que no conjunto os habitantes da Europa se apresentam aos americanos como amantes da tranqüilidade e do prazer, embora se movimentem como abelhas ou vespas em vôo. Essa agitação se torna tão grande que a cultura superior já não pode amadurecer seus frutos; é como se as estações do ano se seguissem com demasiada rapidez. Por falta de tranqüilidade, nossa civilização se transforma numa nova barbárie. Em nenhum outro tempo os ativos, isto é, os intranqüilos, valeram tanto. Logo, entre as correções que necessitamos fazer no caráter da humanidade está fortalecer em grande medida o elemento contemplativo" aforismo 285- Humano, demasiadamente humano, Nietzsche

"Lazer e ócio. – Há uma selvageria pele-vermelha, própria do sangue indígena, no modo como os americanos buscam o ouro: e a asfixiante pressa com que trabalham – o vício peculiar ao Novo Mundo – já contamina a velha Europa, tornando-a selvagem e sobre ela espelhando uma singular ausência de espírito. As pessoas já se envergonham do descanso; a reflexão demorada quase produz remorso. Pensam com o relógio na mão enquanto almoçam, tendo os olhos voltados para os boletins da bolsa – vivem como alguém que a todo instante poderia 'perder algo'. 'Melhor fazer qualquer coisa do que nada' – este princípio é também uma corda, boa para liquidar toda cultura e gosto superior. Assim como todas as formas sucumbem visivelmente à pressa dos que trabalham, o próprio sentido da forma, o ouvido e o olho para a melodia dos movimentos também sucumbem. A prova disso está na rude clareza agora exigida em todas as situações em que as pessoas querem ser honestas umas com as outras no trato com amigos, mulheres, parentes, crianças, professores, líderes e príncipes – elas não têm mais tempo para as cerimônias, para os rodeios da cortesia, para o esprit na conversa e para qualquer otium (ócio), afinal. Pois viver continuamente à caça de ganhos obriga a despender o espírito até a exaustão, sempre fingindo, fraudando, antecipando-se aos outros: a autêntica virtude, agora, é fazer algo em menos tempo que os demais. (...) Se ainda há prazer com a sociedade e as artes, é o prazer que arranjam para si os escravos exaustos de trabalho. Que lástima essa modesta 'alegria' de nossa gente culta ou inculta! Que lástima essa desconfiança crescente de toda alegria! Cada vez mais o trabalho tem a seu lado a boa consciência: a inclinação à alegria já chama a si mesma 'necessidade de descanso' e começa a ter vergonha de si. 'Fazemos isso por nossa saúde' – é o que dizem as pessoas quando são flagradas numa excursão ao campo. Sim, logo poderíamos chegar ao ponto de não mais ceder ao pendor à vida contemplativa (ou seja, a passeios com pensamentos e amigos) sem autodesprezo e má consciência." aforismo 329 - A gaia ciência

"Somente o filólogo lê lentamente e medita meia hora sobre seis linhas"

Creme e morangos



virgínia além mar

Abro a porta às vozes das saudades e, com púrpura ternura deixo-me estar entre elas nestes dias invernais....
Quão serenas são as noites que à releitura solitária de mim mesma faço.
Com ar de graça passo os dedos sobre o cabelo, assoviando a sonata Ronda Alla Turca e agradeço ter sobrevivido, também às tempestades de verão.

Espírito resiste metamorfoseando-se entre mosaicos de sensações; Lembranças sonoras, povoam e recriam espaço – tempo e, nova a mente entrega-se às asas da imaginação.
E o creme com morangos ? A eles acrescento alguns suspiros reservados à ocasião. Afinal, à maturidade lambuza –se com poções de fantasia , doces efêmeras, airadas mas com tons de eterna jovialidade como os sons de Mozart, as pinturas de Magritte e a filosofia de Nietzsche...


creme com morangos virgínia com afetuoso e agradecido abraço

Sunday, June 28, 2009

Das Naves ao Piar das Cotovias & além


*virgínia além mar

Pinceladas, matizes, argamassa do viver ; barro gesso papel marche...Esculpida em mármore uma alma de aço? Um terço dos véus, eu te conheço? Tu me esqueces? Já não sou quem era. Enganei-te ? Enganei-me? Inventei um personagem ? Sou artista meu amigo, ora alegre, ora triste, transvaloro-me, reinvento, ultra-passo fendas, muros, aço e braço. Ora eu, ora tu, ora nós, ora entre representações. Vejo como quero, tu me amas como podes. Virando do avesso, das matrizes resta, surfando entre as vagas os devaneios além mar ...E, lá nave vá entre as vãs filosofias e arroubos de verdades há margens e miragens.
No branco das nuvens esculpimos sonhos, na areia fina castelos de amores infinitos tragados pelo hálito do vento norte. Versos e uma prosa decolam feito alecrim entre foliões dispersos. Leste minhas cartas no começo das estações? Foram folhas de outono, orquídeas de primavera, lágrimas de inverno gélidas descongeladas ao verão intruso que, reviveu-nos em cada uma. De sorte que seguimos resguardados de parcela elementar. Em cada um, tantos rostos se impuseram, olhares não satisfizeram a lacuna que a lua deixou entre as frases. Do silêncio morno e inquieto ressurge um bilhete de passagem. Ao porto ou à tribo retornamos, buscando na história algo que alinhave estrofes e alinhe velas , uma força, fermento do seguir adiante ... Passando por Dali , Fellini os cristais em minhas veias cingem silencio e verbo. Entornado sacramento, entoam sereias odes aos mancebos . Ensurdecemos um pouco demais, ante aos gritos histéricos criamos aspas, como escamas antigas, a proteger –nos dos segredos que tanto queríamos preservar . Com a pele mais fina perdemos o tato e um sol já não nos basta queremos outros, todos astros a nos proteger. Com nosso alumínio e ferro forramos a atmosfera e blindamos a fera e também o pouco de sinceridade que no ar havia ... Se, estamos perdidos ninguém sabe, pois se acharmos a velha alegria de quando não sabíamos, talvez encontremos uma lágrima verdadeira e só ela o é ante ao belo, ao inocente e ao piar das cotovias ...
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Sons da floresta revelam que biodiversidade da Amazônia é muito maior do que se imaginava ...Através dos ouvidos, pesquisadores na Amazônia estão fazendo descobertas sobre a real biodiversidade da floresta amazônica que passaram despercebidas aos olhos de outros cientistas que se dedicaram a estudá-la.......Estamos descobrindo que, quando há uma diferença de som de um local para outro de uma população da mesma espécie, também há uma diferença genética. O animal é outro- revela Cohn-Haft.-ornitólogo e curador da coleção de aves do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Os muitos cantos da Amazônia -Pesquisadores lançam coleção de CDs com o som de aves do maior bioma brasileiro; ouça amostras Ouça amostras de cantos de aves da coleção Vozes da Amazônia (arquivos em formato MP3) Inhambu-de-cabeça-vermelha (Tinamus major) (504 KB) Garrinchão-coraia (Thryothorus coraya) (2,0 MB) Araçari-negro (Selenidera culik) (800 KB) Anacã (Deroptyus acciptrinus) (929 KB) Formigueiro-ferrugem (Myrmeciza ferruginea) (900 KB) Maú ou pássaro-boi (Perissocephalus tricolor) (1,3 MB)

Friday, June 26, 2009

tudo está bem

...O homem absurdo diz sim e seus esforços doravante serão incessantes. Se há um destino pessoal, não há um destino superior, ou há, mas um que ele conclui que é inevitável e desprezível. Para o restante, ele reconhece a si mesmo como o mestre de seus dias. No momento sutil quando o homem dá uma olhada para trás em sua vida, Sísifo retornando à sua pedra, neste modesto giro, ele contempla aquela série de ações não relacionadas que formam o seu destino, criado por ele, combinados e sujeitos ao olhar de sua memória e logo selados por sua morte. Assim, convencido da origem totalmente humana de tudo o que é humano, o homem cego, ansioso para ver, que sabe que a noite não tem fim, este homem permanece em movimento. A rocha ainda está rolando.

Eu deixo Sísifo no pé da montanha! Sempre se acha sua carga novamente. Mas Sísifo ensina a mais alta honestidade, que nega os deuses e ergue rochas. Ele também conclui que está tudo bem. O universo, de agora em diante sem um mestre, não parece a ele nem estéril nem inútil. Cada átomo daquela pedra, cada lasca mineral daquela montanha repleta de noite, em si próprio forma um mundo. A própria luta em direção às alturas é suficiente para preencher o coração de um homem. Deve-se imaginar Sísifo feliz - O Mito de Sísifo- Albert Camus

Thursday, June 25, 2009

Ao Sol

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Ao Sol -
*virgínia além mar

Disse o Poeta que ;
tem olhos verdes a Esperança
mas terá olhos maiores
que a cega ignorância ?

Promessa de felicidade do céu
a religião apregoou.
Um visgo de chão quero e,
paz na terra através da inclusão

Uma felicidade imanente,
um mundo onde reparta-se saber e pão.
Espero ciente que a humanidade caminha e,
ausente estarei no tempo da grande iluminação !

Enquanto persigo minha própria
ainda ilusão, creio no despertar,
na fé que pode raciocinar e
nas escolhas apropriadas.

Verde são os olhos da mata
do profundo oceano azuis são
a felicidade brota do mais escuro
ao sol do meio dia visíveis todos estão!

Tuesday, June 23, 2009

sonho bom -repete-se

sonho bom ...
virgínia além mar -

na rouca voz do recém acordado
dança o visgo do sonho
na língua virgem, muda ao mundo sonha o fado

de lótus, brandas pétalas embebeu-se a existência
pálpebras bailam aos raios de sol, como mariposas
lânguida ainda, espreguiçam nervuras; latência ...

a pele fresca acaricia risonho

oníricas imagens supriram carência ...
Publicado no Recanto das Letras em 04/02/2009Código do texto: T1420874

Sunday, June 21, 2009

papo à toa

Ocorreu-me uma questão boba, mas bobagens é o que não falta, se ingrata ou não me pergunto e fixo na irreverência, hóspede não menos regular que minha estupidez...Colibris e outros pássaros festejam suas trocas de pena ? Nunca ouvi falar ou li sobre animais que tenham noção de que o tempo haja...Metáforas à parte a dança do acasalamento assisti em documentários mas a respeito da perda ou ganho de peso, altura, dentes, penas, filhos nada sei. Macacos nossos primos-irmãos são divertidíssimos mas terão eles alguma forma de celebração datada ? E as árvores reúnem-se para fazer festinha quando uma dentre elas produz primeiras flores?
O bixo homem é tão interessante, com senso de humor festeja tudo, dia para isto e aquilo, marca o tempo e mesmo que dele deseje livrar-se . Inventou a máquina para não esquecer que é homem e que tem compromissos marcados e, até não esquecer de acordar e ir trabalhar. Ah! o ser humano tornou-se animal de promessa. Criar um animal que pode ‘fazer promessas’ - não é esta a tarefa paradoxal que a natureza se impôs, com relação ao homem? Nietzsche provocou ...
Também o pai da psicanálise disse que melhores vivem os animais ditos não racionais pois esquecem...Memória curta , memória seletiva ...Sem culpa seguem vivendo , sem promessas e sem palavras dadas ...
Inventamos até a guerra para celebramos seu final ! Coisa de doente, como disse o filósofo bigodudo; o homem é um animal doente !
Que acontece,no desenvolvimento do indivíduo humano civilizado, para tornar inofensivo seu desejo de agressão? Pergunta do mestre Freud .
Não lamento a condição em que estou apenas penso que poderíamos menos sofrer se hora e outra pudéssemos esquecer, sermos esquecidos e nem por este motivo julgados, rotulados por psicologismos e ismos que não cessamos de criar ... Se gosto de festas ? Mais ou menos , prefiro dar espaço à espontaniedade só para variar e fazer nada vez que outra, meu corpinho agradece quando me esqueço um pouco dele , da minha idade, do espelho e claro do relógio , eita máquininha cruel, quem o inventou deviria estar numa culpa inconsciente daquelas para aprontar uma dessas ...Bem ou mal termino como iniciei ; papo à toa mesmo , afinal para dar vazão , canalizar instintos e a agressão vale de tudo e quiçá mais arte e menos artefatos bélicos...

Friday, June 19, 2009

Linguagens A r e j a d a s

virgínia janeiro 09



Num primeiro momento a fruição estética fez-me parar diante da obra de Artista Fátima Queiroz. Seguiram-se associações e estas levaram-me a um episódio ocorrido em meados de 1981, quando meu filho estava com 1 ano
e meio de idade. Encantado, experimentando o mundo e já em primeiras sentenças expressando seus insigths . A que se relaciona à obra de Arte
acima, intitulei de – Porô , relato; Em suas expedições pela casa Joaquim , escolhia objetos e os trazia à minha frente deixando-os cair ao solo, propositalmente. Espatifavam-se aos cacos alguns, com seus olhos admirados, quando isto ocorria sentenciava - porô ! Corria à busca de outro e repetia a experiência. Eu assistia ao seu show aprendizado, durante dias, buscando entender o que estava ele a compreender e suas conclusões. Quando utilizava objetos inquebráveis, observava com mesma seriedade e brilho no olhar :
- não porô !Estava ele referindo-se a questão da resistência? Estaria dizendo - quebrou ? Ou estourou ? Referindo-se ao som ?Desaprendendo a ordens e valores e, aprendendo também a lidar com meu jovem pesquisador estava eu ,um pouco aflita, confusa e contente. Foram substituídos cristais por argila, madeira e palha. Providenciei uma oficina para que confeccionasse seus próprios artefatos poráveis.Foi nesta atmosfera que num final tarde qualquer, olhando as paredes de concreto de nossa casa, o adorável menino proclamou – tudo tem furinhos né mamãe !Com espanto respondi-lhe afirmativamente; a matéria é porosa , respira , em tudo há furinhos sim! Passei a pensar na necessidade de retomar o gosto pela Física, lembrando-me que à preferia juntamente com a Matemática e à Filosofia às outras disciplinas, para acompanhá-lo em diálogos pertinentes ...Entretanto a experiência Porô, foi encerrada, após este desafiante diálogo, com sucesso extraordinário, nada mais na casa foi quebrado.Iniciou-se na pesquisa de desmontagens, típica da fase e, às observações silenciosas do céu ! Ai meus sais! Astronomia era muito pra minha parca inteligência e falta de tempo, mesmo assim um pequeno telescópio e um microscópio foram as novas aquisições e as visitas ao Planetário e a Orquestra Sinfônica também agendados... E o tempo? Com a experiência compreendemos que se pode dar um jeito, que tudo é relativo mesmo e, afinal em tudo há furinhos , porável e impermanente é a existência ! Estava aberta a descobrir o tanto que não sabia sobre as palavras e a tornar-me novamente uma pequena cientista, levada pela curiosidade e amor do meu pequeno professor ! Com meus botões arejados ocorreu-me que Einstein teria divertido-se muito quando manteve correspondência com crianças...

Wednesday, June 17, 2009

Escrivaninha VI- O que, ou quem dá cor e tom à vida ?



O que, ou quem dá cor e tom à vida ?
virgínia fulber
A cor que vem de dentro transborda e ilumina, transforma a realidade empresta à vida aquarela... Pode em meio à chuva fina, um sorriso enfeitar a rua, como uma esplêndida sombrinha colorida, retalhado o cinza da tarde. Assim também o faz o regaço da amizade... Entre estas sem dúvida está a amizade à Sophia (sabedoria – do grego ). A arte reinterpreta a vida e é possível através dela ver como belo o que não fora assim visto, uma vez que nós humanos criamos os conceitos de belo, feio, bom e mau ...
O mau tempo pra alguns bem a outros pode ser-parecer, entrando no campo das relativizações e das complexidades.
O artista é um artífice da vida, na arte como saber criativo está implícita a abertura ao devir, característica da potência dos fortes assim lemos em Nietzsche, filósofo que amplia o conceito de arte não a limitando às obras de arte , estendendo-o à vida . Este em sua Gaia Ciência nos alerta que precisamos aprender dos artistas e, sobre o trabalho artístico fala-nos que ; Esta atividade, que pressupõe uma lenta preparação e um trabalho cotidiano, consistiria em perceber em seu conjunto tudo o que a natureza oferece de forças e fraquezas para, em seguida adaptá-la a um plano artístico, até que cada coisa apareça em sua arte e que as próprias fraquezas sejam de tal modo transmutadas que cheguem a ofuscar os olhos .
Embora o filósofo insiste que é preciso irmos além dos Artistas sendo mais sábios que estes... "essa força sutil que lhes é própria cessa geralmente onde termina a arte e começa a vida" ;Ao ultrapassar limites transgredindo o estabelecido o filósofo lança o desafio de também tornarmo-nos Poetas (criadores) da existência, mesmo nos fatos mais corriqueiros passando à reinterpretar e fazer uma releitura dos fatos do cotidiano. Podemos ler nesta mesma obra, A Gaia Ciência que "Uma única coisa é necessária-" àqueles de espírito forte -dar estilo a seu caráter , o que exige uma constante e laboriosa tarefa sobre si mesmo e que inclui um certo distanciamento ; em muitos casos esta verdadeira atividade artística empreendida por um tal homem superior pode perfeitamente lhe passar despercebida; Lê-se no Livro IV da obra em questão "Ilusão dos contemplativos",- " acredita situar-se como espectador e ouvinte diante do grande espetáculo que é a vida; diz que sua natureza é contemplativa e não se apercebe que é o verdadeiro poeta e criador da vida"


Jogos de luz e sombra conjugados, contrastes, nos possibilitam a riqueza da diversidade embora à alguns escape ainda a importância das forças contrárias,
inquietando-se sobremaneira diante à trágica condição humana. Nietzsche recupera o sentido trágico da existência em sua vida e obra.
Os artistas compreendem a importância dos jogos dos contrários em seu trabalho
mas nem sempre ampliam este conhecimento e o aplicam à vida. Assim como para o pintor, o cantor, o dançarino, o músico, o compositor, o escultor movimento contrasta com pausa, música com silêncios... Intervalos, nuances são necessários para um conjunto harmonioso...
Leitor e autor também são necessários para dar cor a um texto, à uma pintura dando seqüência à orquestração da vida em suas mais variadas possibilidades...
Para os já iniciados na senda da Filosofia e, demais leitores que apreciam textos filosóficos mais acadêmicos, deixo o convite ao Canal de Filosofia do Espaço Ecos no Portal VMD. Entre os colaboradores estão o filósofo contemporâneo Amauri Ferreira que ministra cursos e palastras na Escola Nômade sobre a obra de Nietzsche e a mestra em Filosofia gaúcha Mariah de Olivieri que identifica-se e trabalha com outros Filósofos que trabalham com o conceito de Arte. Sobre a obra de Nietzsche ainda, indico o trabalho de Alexandre Mendonça intitulado Ecce Homo um livro quase homem . Os autores trazem boas referências que creio ao iniciante despertam o desejo de ler na íntegra as obras de suma importância dos autores referenciados. Esperamos que novos leitores com suas interpretação singulares, tragam novas luzes sobre o que foi produzidos até então e, como co criadores possam não só produzir em si mesmos corpos potentes e mais felizes ( poéticos) mas uma sociedade em que haja apesar das diferenças, possíveis diálogos ...

Sunday, June 14, 2009

descongestionados

descongestionados

só verso sobre o que sangra
inversos aos cantos de outono
são os tempos da rima
trans versos os quanta da estima
fragmento perverso na manga não tenho


me atenho ao verbo corrente das intemporalidades
nos verões há tempos germinei
e agora o barco singra pelas águas setembrionais
descongestionadas estão as pálpebras das veias
e do céu
deslizam Painas, forram o chão e meu chapéu ...
* virgínia além mar

sobre Paineiras - Os frutos são cápsulas verdes, que, quando maduras, rebentam (deiscentes), expondo as sementes envoltas em fibras finas e brancas que auxiliam na flutuação, que é chamada paina.
A partir dos vinte anos de idade aproximadamente (sudeste brasileiro), os espinhos costumam começar a cair na parte baixa do caule, e, gradualmente, também caem nas partes mais altas da árvore, com o engrossamento da casca. Diz-se no Brasil que isto permite à árvore receber ninhos de pássaros, o que seria impossível de acontecer quando esta tinha espinhos longos e ponteagudos; assim, flores e frutos já não estão presentes, a árvore continua dando sua contribuição hospedando os passarinhos. Esta não é uma regra para todas as paineiras; - *
imagem internet

Wednesday, June 10, 2009

humanos demasiadamente humanos

na noite fria
olhos rasgados d´amor
parem a lua




cristais e seda
bordando o gramado
ventou à noite...

rubro poente
há cerejas maduras
nos lábios do céu -
* virgíni´ além mar -

Em véspera de comemorarmos aqui no Brasil o dia consagrado ao amor romântico lembro das palavras do Filósofo , Médico e Psicanalista Jurandir Freire Costa em Entrevista DIÁLOGOS SOBRE O AMOR ROMÂNTICO , posterior a Publicação de seu Livro Sem fraude nem favor .

<...Hoje, boa parte da liberdade sexual sonhada pelos hippies se realizou, embora na chave individualista, típica de nossos tempos. Ou seja, estimulamos a liberdade sexual pregada pela contracultura mas jogamos fora os ideais igualitários e comunitários que justificavam aquela liberdade....O amor romântico, portanto, como qualquer emoção humana, não é feito só de virtudes. Ele carrega um potencial de individualismo e preocupação obsessiva com o próprio bem-estar que pode nos tornar absolutamente indiferentes a tudo e a todos ao redor.Não se trata, é óbvio, de “reprovar o amor” ou os que pretendem dedicar a vida à realização amorosa; trata-se de mostrar que esse objetivo não está além do bem e do mal. Existe uma grande diferença em afirmar que o amor romântico é um estado afetivo que pode nos fazer muito felizes e que, por isso, pode ou deve ser buscado por quem de direito e apresentar o romantismo como uma obrigação moral universal.

No último caso, fazemos de uma possibilidade, necessidade e reforçamos a crença de que todos os que não conseguem amar, no código do romantismo, são pessoas fracassadas, frágeis, insensíveis, “não resolvidas”, do ponto de vista psicológico.

O amor romântico, repito, é uma emoção mundana, comprometida, entre outras coisas, com valores estéticos e morais diretamente ligados a interesses de classe social, situação econômico-cultural e preconceitos raciais, sexuais ou religiosos dos amantes. Longe de ser uma emoção pura, inocente ou “divina”, o romantismo amoroso é uma busca de satisfação sexual e sentimental nem mais nem menos legítima do que outras às quais damos as costas por que estamos empenhados, dia e noite, em amar e ser amados. ...>

ilustrações Obras de Tarsila do Amaral

Friday, May 29, 2009

Psiu !...

<Aqueles que amam costumam também imantar tudo o que tocam, e assim deixam um rastro perfumado por onde passam.> Luiz Carlos Lisboa in O Som do Silêncio


-E talvez a vida seja como uma flor perfumada. Nossa luta pode soar como a bela colorida flor, e fingimos que o cansaço se esconde como o perfume da flor. O olhar pode fixar a flor, mas a invisibilidade do perfume é completamente desmascarada nos sentidos de um cego... -Michèle Sato
Imagem de Edvard Koinberg- livro:HERBARIUM AMORIS - FLORAL ROMANCE





Do invisível -A música parceira de todas horas preenche a atmosfera com as cores da alma... Entre ausências imagens, sons -mar-rítmos movem meus cataventos virgínia além mar

“Ah, o desperdício de falar, quando há tanta coisa a ouvir de quem não tem nada a dizer. Às vezes somos como o grito de uma serraria, escondendo o solo perfeito de um violino. Só é preciso prestar atenção e ficar em silêncio, para escutar a música que vem do mundo. Nela estão as respostas que procuramos, e nela está a certeza de que todas as perguntas são fúteis quando somos felizes.’ Luiz Carlos Lisboa- do Livro O som do silêncio

ainda ecce Homo e zaratustra ...