Tuesday, March 04, 2014
Tuesday, February 25, 2014
O Poeta e as Artes- Reiner Maria Rilke breves considerações
O Poeta e as Artes- Reiner Maria Rilke breves considerações * virgínia vicamf
Inicialmente sobre a Obra O diário de Florença-
Em 1897 o Poeta foi apresentado a intelectual Lou Andreas-Salomé (amiga, discípula do Filósofo F. Nietzsche que mais tarde tornou-se Psicanalista) que provocou uma mudança radical na vida deste .Lou incentivou-o na preparação da viagem a Florença, onde ele pretendia estudar a língua italiana e assistir a cursos sobre história da arte. Rilke começa a redigir a obra (cartas) assim que desembarca na cidade italiana em 15 de abril de 1898 e a termina em 06 de julho do mesmo ano. O diário não é um rigoroso relato de viagem nem uma sucessão cronológica de fatos e sim um envolvente relato no qual compartilha suas emoções, descobertas, experiências e reflexões sobre as artes, particularmente sobre a arte do Renascimento, com Lou Andreas- Salomé além de dirigir-lhe palavras afetuosas . A obra é dedicada a ela.
Trecho do diário: "O sentimentalismo pressupõe a fraqueza, o amor pelo sofrimento. Mas creio que ninguém deixa transparecer tão nitidamente a luta contra o sofrimento como Botticelli. E esse sofrimento não é uma tristeza passiva, imotivada (...), e sim o sentimento ocasionado por esta primavera estéril que se exaure em seus próprios tesouros."
Em 1897 o Poeta foi apresentado a intelectual Lou Andreas-Salomé (amiga, discípula do Filósofo F. Nietzsche que mais tarde tornou-se Psicanalista) que provocou uma mudança radical na vida deste .Lou incentivou-o na preparação da viagem a Florença, onde ele pretendia estudar a língua italiana e assistir a cursos sobre história da arte. Rilke começa a redigir a obra (cartas) assim que desembarca na cidade italiana em 15 de abril de 1898 e a termina em 06 de julho do mesmo ano. O diário não é um rigoroso relato de viagem nem uma sucessão cronológica de fatos e sim um envolvente relato no qual compartilha suas emoções, descobertas, experiências e reflexões sobre as artes, particularmente sobre a arte do Renascimento, com Lou Andreas- Salomé além de dirigir-lhe palavras afetuosas . A obra é dedicada a ela.
Trecho do diário: "O sentimentalismo pressupõe a fraqueza, o amor pelo sofrimento. Mas creio que ninguém deixa transparecer tão nitidamente a luta contra o sofrimento como Botticelli. E esse sofrimento não é uma tristeza passiva, imotivada (...), e sim o sentimento ocasionado por esta primavera estéril que se exaure em seus próprios tesouros."
A solidão foi um combustível indispensável ao Poeta Rainer Maria Rilke .
Depois de Florença, Rilke, planejou uma viagem à Rússia a convite de Lou Andreas Salomé , que além de amiga foi sua amante e o estimulou a trocar de nome, ou seja substituir o enorme nome de batismo ; René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke(trocou o seu primeiro nome por Reiner)o que resultou no nome pelo qual o conhecemos; Rainer Maria Rilke.
Depois de Florença, Rilke, planejou uma viagem à Rússia a convite de Lou Andreas Salomé , que além de amiga foi sua amante e o estimulou a trocar de nome, ou seja substituir o enorme nome de batismo ; René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke(trocou o seu primeiro nome por Reiner)o que resultou no nome pelo qual o conhecemos; Rainer Maria Rilke.
Na primavera de 1901 o Poeta casou-se com a Artista Clara Westhoff (aluna do Artista August Rodin) e tiveram uma filha Ruth, no início de 1902, mas dentro de seis meses, eles concordaram em viver separados, a fim de melhor exercer a sua arte. Mantiveram um relacionamento cordial com breves reuniões, entretanto os “Rilke” como família não viveram juntos. Ela morreu em Fischerhude em 1954.Sua casa e estúdio é hoje Café Im Rilke-Haus - Entre as obras sobreviventes de Clara Westhoff (Rilke) está retrato do busto de Ranier Maria Rilke (Gesso sobre base de gesso 1901). Para ler sua rica Biografia.
Rilke foi secretário do grande Escultor que exerceu grande influencia sobre sua poética entre 1905 a 1906. Em sua Obra reúne seus dois ensaios sobre o escultor francês . Traduzido por Daniela Caldas-Rio de Janeiro- Relume Dumara, 1995-Título original, Auguste Rodin.
“Com essa descoberta (da superfície) começa o autêntico trabalho de Rodin. (...) Não havia poses, nem grupos, nem composição. Havia somente incontáveis superfícies vivas, havia somente vida (...). Rodin percebia a vida, que estava em toda parte, em qualquer lugar que olhasse. Ele a percebia em todos os lugares, observava-a, dirigia-se a ela. Ele a esperava onde ela hesitava, na sua superação; ele a pegava onde ela corria, e encontrava-a em todos os lugares em seu tamanho original, com a mesma força que a impelia. Não havia então nenhuma parte do corpo diminuta ou sem significado: ele era vivo” pgs. 31-32.
Até 1912, Rilke visitou diversos países, participou de inúmeras conferências. Fixou residência na Suíça alemã, onde desenvolveu um “ estilo de vida do artista puro”; livre de preocupações familiares, concentrado exclusivamente ao trabalho. Morreu em 1926, de leucemia. Deixou-nos ” uma poesia seminal, da qual as palavras brotam como se fossem os próprios seres da natureza.”
Até 1912, Rilke visitou diversos países, participou de inúmeras conferências. Fixou residência na Suíça alemã, onde desenvolveu um “ estilo de vida do artista puro”; livre de preocupações familiares, concentrado exclusivamente ao trabalho. Morreu em 1926, de leucemia. Deixou-nos ” uma poesia seminal, da qual as palavras brotam como se fossem os próprios seres da natureza.”
Outra obra além das supracitadas e inúmeras conhecidas do Poeta destaco ainda < Cartas sobre Cézanne- (correspondência trocada com sua esposa a artista plástica Clara Westhoff Rlke- tradução de Pedro Süssekind. Ed.Rio de Janeiro- 7 Letras, 2001. Título original: Briefe über Cézanne.
Notas -
Notas -
Livro O diário de Florença- Rainer Maria Rilke. Traduzido por Marion Fleischer - São Paulo : Nova Alexandria, 2002. – 143 pág.- Título original: Das Florenzer Tagebuch
Sobre Ilustração 1- Em 1872, um imponente torso masculino foi
descoberto por O. Rayet e A. Thomas no teatro em Mileto, uma cidade helenística
próspero na Ásia Menor. No ano seguinte Edmond e Gustave de Rothschild, que
subsidiaram a expedição, apresentou-o ao Louvre. O torso, esculpida em torno de
480-470, foi restaurada no século II aC, antes de serem reutilizados no teatro
romano, provavelmente como parte da parede do palco. Vários detalhes-incluindo
marcas de ferramentas na superfície do mármore, a modelagem robusta, ea posição
do braço direito de chumbo nos atribuir esse trabalho para um dos dois
escultores do final do século VI aC. Alguns vêem semelhanças com um bronze
Apollo esculpidas por Kanachos de Sikyon para o templo em Didyma. Outros vêem o
estilo de Pitágoras, que criou estátuas de atletas que foram admiradas por seu
realismo - Fonte
Monday, July 22, 2013
25 de Julho- Escritor dia dos
Sobre a data deixo link - http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/texto.asp?id=2435
Trans
crê ver
* virgínia vicamf
Lépidas, ágeis asas
multicor
São os anjos a soprar
Névoas a cortejar
As mãos do escritor
Entre
os dedos a decorar
Anel,
terço e ardor
No
peito intenso labor
Envolve
a tez e sobrepõe-se à dor
Ofício
de encanto
Ou
papel tingido de pranto
É
assovio de pena na lente do ouvido
Vê
melhor quem possui asas na mão
Eterniza-se
transcrevendo experiência
Conhecimento
e emoção...
(
variação de meu soneto escrito 2009-
publicado@ -
Respeite os direitos autorais Publicado No
Recanto das Letras 18 -10 -2009 http://www.recantodasletras.com.br/sonetos/1873563
AMIGOS
Na palavra que
me é mais cara; “Amigo”,está minha
"ciência' de existência de um infinito!
Um som que
ressoa entre as vidraças, ainda lambidas de chuva e
fumaça...
Um trem circular entre terra e mar que desconhece limites, atinge o céu em plena tempestade,
Um trem circular entre terra e mar que desconhece limites, atinge o céu em plena tempestade,
Entre olhares
não vistos, adivinhamos rotas dspretensiosamente atingindo caminhos
não percorridos ...
não percorridos ...
Amigos recriam elos perdidos trazendo
significado ao vivido...
Queridos sois
devires de potências aos percursos desejados...
Como não crer
naquilo que não se vê e, no entanto intui-se; na admirável
conexão entre as pontes, fontes moleculares que vibram numa
frequência de mesma potência e alinhamento?
Amigos, gentes,
sementes, mentes, corpúsculos de um mesmo organismo que,
tendem ao encontro por atração ...
Há orquestração
entre nossos corpos por havermos anteriormente afinado-nos intimamente e prosseguimos alinhavando afinidades e
harmonizando-nos...
Somos conjunções
de fluxo e refluxo de estares, existências à caminho de nossas
identidades intensificadas.
Através de
encontros e reencontros percebe-se um Modelo ? padrão ? Ensaio ou erro ? ...Vida!
Na palavra que
me é mais cara; “Amigo”,está minha
"ciência' de existência de um infinito! -
Virgínia vicamf bailarina... além
mar mulher peixe voador -2002 No Recanto das Letras http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/4391598
Publicado anteriormente em 2002
Thursday, June 13, 2013
Ensaio do sem fim ...* virgínia vicamf -
Ensaio do sem fim ...* virgínia vicamf -
A folha de
papel abriga areia, rochas, palmeiras e mar... Embalada nas águas que desenho, o
sonho cresce e prossegue navegando.
Atenta às
velas que me conduzem entre os azuis deste céu e mar
reinvento as
horas de tardes sem fim...Tardes que quedam a dormir e quando dormem com olhos
bem cerrados gravitam o breu das esferas longinquoas...
Noites não
são filhas do vento tampouco mães das manhãs...
São o avesso
das tardes sem fim...
Adormeço e
mais uma vez todos os tons de azul mesclados com as cores quentes das primeiras
horas das tardes sem fim...
Quem me dera
fossem elas como a grande tela que pinto e medro sem receios de perder a cor da
brisa que vem do leste e trazem consigo o calor germinal...São tão férteis as
águas...
São mães das
tardes e todas convidam a velejar...
*****************************************************
Um excelente vídeo Arte e Vela no link http://www.youtube.com/watch?v=b0OMYE4_1PM
<<Quando os artistas franceses da metade do século 19 abandonaram os estúdios e foram com seus cavaletes, tintas e pincéis para a rua inventar o impressionismo, encontraram o mar. E no mar havia barcos. Barcos a vela.
Boudin preferiu não molhar os pés e colocou os veleiros no plano de fundo dos quadros em que enfoca os encontros dominicais nas praias de Trouville, Normandia, que é para onde os parisienses levavam suas cadeiras e sombrinhas, e lá se deliciavam com os saudáveis ventos do Canal da Mancha.
Manet, que tentou ser marinheiro, mas, felizmente não conseguiu aprovação após algumas viagens, mostra parte de sua paixão pelos navios ao retratar a saída de um vapor rodeado por veleiros de velas escuras, na Bologna, antes de aliviar as cores e pintar mais um preguiçoso domingo sob o sol da Normandia.
Enquanto isto, do outro lado do Atlântico, Winslow Homer usava o litoral de sua Boston natal como inspiração para as paisagens marinhas que o elevaram a condição de um dos mais importantes artistas americanos do século 19. Longe das teorias impressionistas de seus pares europeus, onde o retrato do lazer, a ausência de detalhes e a forte e clara luz eram uma constante, a pintura de Homer mostra à faina de pescadores e portuários em quadros ainda com as características carregadas dos renascentistas.O retorno ao doce far niente encontra Cloude Monet e Gustav Caillebotte envoltos na Regata de Argenteuil, por volta de 1870. Monet pintando, Caillebotte velejando. Amigos e vizinhos, cada um passou para o outro um pouco de sua arte. Quem de nós não se vê orçando na "Onda Verde" que Monet retratou como se estivesse na tripulação do barco à barlavento? Ou na "varanda" dos nossos clubes, extasiados com as visões dos barcos ancorados e do movimento de outros navegando na linha do horizonte, como mostra a arte do mestre?
Odilon Redon, que pinta casais em solitários veleiros emoldurados por céus impressionantes, demonstra seu amor e respeito pelo mar no desenho "O espírito das Águas", onde um enorme rosto com expressão suave olha pelos navegantes do minúsculo veleiro abaixo de si.
O pós-impressionismo do fim do século 19, início do século 20, perdeu a luz, voltou para dentro de casa e trouxe as cores vivas para a pintura vanguardista daquela época. E com elas veio Henri Matisse, que abre uma colorida janela para o atracadouro dos veleiros.
O Russo Wassily Kandinsky já morava em Berlin quando se tornou um dos primeiros e mais importantes pintores abstratos. Seu abstracionismo, no entanto, não chaga ao ponto de esconder completamente o veleiro no quadro Mit und Gegen. Seu amigo e colega da cátedra na Bauhaus, o suíço Paul Klee, também voltou seus lápis para o mar e de lá interpretou o que viu e chamou um de seus maravilhosos quadros de "Porto de Veleiros".
Grande parte da arte de boa qualidade das primeiras décadas do século 20 vem da Alemanha. De lá surge Lyonel Feininger, também professor na Bauhaus, que seguiu os passos de Pablo Picasso, e usou o cubismo para pintar veleiros retos, ondas retas, nuvens retas em estonteantes velocidades e movimentos. Até que o realismo do americano Edward Hopper entra na raia.
Conhecido por suas imagens melancólicas em paisagens urbanas repletas de solitários, Hopper parece ter encontrado na beira do mar um contraponto para sua arte inquietante.
A música, Joana Francesa, é de Chico Buarque e a voz é de Badi Assad.
Tarcísio Mattos, comandante do Zephyrus
Boudin preferiu não molhar os pés e colocou os veleiros no plano de fundo dos quadros em que enfoca os encontros dominicais nas praias de Trouville, Normandia, que é para onde os parisienses levavam suas cadeiras e sombrinhas, e lá se deliciavam com os saudáveis ventos do Canal da Mancha.
Manet, que tentou ser marinheiro, mas, felizmente não conseguiu aprovação após algumas viagens, mostra parte de sua paixão pelos navios ao retratar a saída de um vapor rodeado por veleiros de velas escuras, na Bologna, antes de aliviar as cores e pintar mais um preguiçoso domingo sob o sol da Normandia.
Enquanto isto, do outro lado do Atlântico, Winslow Homer usava o litoral de sua Boston natal como inspiração para as paisagens marinhas que o elevaram a condição de um dos mais importantes artistas americanos do século 19. Longe das teorias impressionistas de seus pares europeus, onde o retrato do lazer, a ausência de detalhes e a forte e clara luz eram uma constante, a pintura de Homer mostra à faina de pescadores e portuários em quadros ainda com as características carregadas dos renascentistas.O retorno ao doce far niente encontra Cloude Monet e Gustav Caillebotte envoltos na Regata de Argenteuil, por volta de 1870. Monet pintando, Caillebotte velejando. Amigos e vizinhos, cada um passou para o outro um pouco de sua arte. Quem de nós não se vê orçando na "Onda Verde" que Monet retratou como se estivesse na tripulação do barco à barlavento? Ou na "varanda" dos nossos clubes, extasiados com as visões dos barcos ancorados e do movimento de outros navegando na linha do horizonte, como mostra a arte do mestre?
Odilon Redon, que pinta casais em solitários veleiros emoldurados por céus impressionantes, demonstra seu amor e respeito pelo mar no desenho "O espírito das Águas", onde um enorme rosto com expressão suave olha pelos navegantes do minúsculo veleiro abaixo de si.
O pós-impressionismo do fim do século 19, início do século 20, perdeu a luz, voltou para dentro de casa e trouxe as cores vivas para a pintura vanguardista daquela época. E com elas veio Henri Matisse, que abre uma colorida janela para o atracadouro dos veleiros.
O Russo Wassily Kandinsky já morava em Berlin quando se tornou um dos primeiros e mais importantes pintores abstratos. Seu abstracionismo, no entanto, não chaga ao ponto de esconder completamente o veleiro no quadro Mit und Gegen. Seu amigo e colega da cátedra na Bauhaus, o suíço Paul Klee, também voltou seus lápis para o mar e de lá interpretou o que viu e chamou um de seus maravilhosos quadros de "Porto de Veleiros".
Grande parte da arte de boa qualidade das primeiras décadas do século 20 vem da Alemanha. De lá surge Lyonel Feininger, também professor na Bauhaus, que seguiu os passos de Pablo Picasso, e usou o cubismo para pintar veleiros retos, ondas retas, nuvens retas em estonteantes velocidades e movimentos. Até que o realismo do americano Edward Hopper entra na raia.
Conhecido por suas imagens melancólicas em paisagens urbanas repletas de solitários, Hopper parece ter encontrado na beira do mar um contraponto para sua arte inquietante.
A música, Joana Francesa, é de Chico Buarque e a voz é de Badi Assad.
Tarcísio Mattos, comandante do Zephyrus
Tuesday, June 11, 2013
Luís Vaz de Camões & amigos Portugueses...um abraço
Luís Vaz de Camões faleceu em 10 de junho de 1580. A Pátria
Portuguesa comemorando seu dia nesta data apropriadamente homenagia àquele foi
portavoz dos sentimentos de seu povo através da Poesia e fez-se cantar além
mares e influenciar e inspirar a Poesia aos amantes desta bela arte expressiva.
Aos amigos portugueses meu carinho e a todos vcs. meu bem querer...
Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.- Luís de Camões
& como não cantar as estrofes que de "cor" se sabe...
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? - Luís de Camões
Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.- Luís de Camões
& como não cantar as estrofes que de "cor" se sabe...
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? - Luís de Camões
Camões ...
Ditoso seja aquele
que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.
Luís Vaz de Camões
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.
Luís Vaz de Camões
Saturday, June 01, 2013
Sábados & além - * virgínia vicamf
No
dorso da tarde sombria um soneto pega carona, segue preguiçoso como as gotas de
chuva na relva e o bocejar das nuvens em estiagem incerta como a esperança do
sonho de primavera gerido no verão... Ah! As tardes de sábado tem costas largas
e pés ligeiros.
Andam
com se quisessem recuperar o irrecuperável... Por mais alto que os pássaros
tenham cantado seu eco já se foi e o
vento apagou o que foi escrito na areia. Ah! As pedras benditas, nelas podemos ler os verbos e
exclamações dos fortes; são eles os
ventos, nuvens e oceanos que movem areia águas e caminhos desenham...
Já
as manhãs de sábado tem olhos grandes desprezam limites avançam sobre os
membros das tardes possuem a ilusão de que tudo podem , até o sol lhes alimenta
a fantasia que como tal faz com que se percam de si compondo sombras no meio dia...
A noite de sábado tem longas melenas trançadas pela
Bacantes
que as adornam com flores e fitas multicolorida enquanto esperam o
cortejo de Dionísio. Noites de promessas e quimeras regadas à ditirambos. Mesmo
os que ficam sós, melancólicos ou em paz percebem os som das tranças da noite
de sábado, quando lançadas aos adeptos
da orgia que apressam-se a agarrar-se a ela e deixarem-se balançar sobre a
rotina, deixando para trás obrigações, tediosos afazeres...Ah! quão salutar é tornar-se bailarino, inventar
amores, deixar a imaginação compor o corpo lépido que entrega-se às inocências...Uma
grande esperança permeia estas noites em que tudo é possível porque ela está
grávida do benfazejo domingo ...
Ah! Domingo já nasce generoso e compreensivo e logo passa a perdoar
nossas imperfeições, dá desconto aos atrasos, as ausências...Ao desdobrar-se
vai tornando-se um milagroso remédio, ao anoitecer dá doses extras da sua poção mágica que saram dores do corpo e d´alma àqueles que à
ele se entregam confiantes . Domingo tem uma voz rouca , voz de sábio e
filósofo que utiliza para baixinho confidenciar a cada um dos viventes que a
vida se constrói vivendo o presente. Os
que ouvem e crêem em seu ensinamento desvendam
o enigmático sorriso da Segunda
feira, a cor rosada da face da Terça feira, e assim por diante dia após dia com
sua nova oportunidade de reinventar-nos e abrimo-nos às epifanias que estão
além das humanas tábuas, réguas, regras ditames humanos que por demasiadamente humanos
atribuímos aos deuses...Já é tempo de ousarmos fazer da vida uma obra de arte, dando
vazão ao pulsar da estrela que arde em nós... Carpe Dien!
Ilustração 1- foto virgínia Morro das Pedras SC BR
2- obra do artista Rafal Oblinski
Thursday, April 25, 2013
Dialogando com a arte * Virgínia vicamf
Dialogando com a arte
* Virgínia vicamf
A tela de Magritte Les valeurs personnelles seqüestrou meus sentidos por semanas.
Custei a encontrar o significante ... No presente algo do passado revivia.
Agora tudo tornou-se nítido ... Inicialmente coloquei-a de lado
no entanto em meu sonho as cores de tons
rosados da tela manifestaram-se
provocando sensações do conforto uterino, sim havia um grande e
agradável útero artificial nas dimensões
de uma caverna e construído por um personagem masculino de grande relevância em
minha existência.
Dois dias após o sonho voltei a contemplar a tela e senti
necessidade de registrar um pensamento que me provocara desta feita...
Sendo; Viver em
celestial transparência, sonho
encadernar com a textura de nuvens banhadas do poente... Como miçanga n´ohar
que sentimento profundo revela, são as almas; “decifrágeis”; confessas nos
detalhes dos objetos com os quais se cerca... *
Passou-me pela mente compartilhá-lo e novamente ao formatar o
afeto brotou do inconsciente... Sim esta tela representa para mim o universo de
meu amado pai, seu requinte na simplicidade de objetos, a doçura posta em atos,
o bom gosto, a arte no retoque, o saber saborear um bom vinho com inigualável
calma... Sim o meu pai poet´artista libertário estava aí retratado na obra de
Renè Magritte!
Senti a suavidade de seu rosto após barbear-se e o cheiro de
sua loção bem como seus braços
recebendo-me em seu colo, passaria por minha “ inspeção” suas bochechas antes
do jantar...
Na tela, no sonho em minha vida os tons roses pastéis, íntimos d´alma contrastando com o azul da imensidão do
espírito...
Com o insight emerge a “miçanga” cintilante que ruma aos meus
lábios que docemente pronunciam que saudades de ti pai...
Quando uma obra de arte dialoga conosco intensamente toca
nossa intimidade de maneira a colocar-nos frente à frente aos nossos mais
preciosos afetos tornando-se espelho do
avesso que se desdobra e nos faz dobrar-nos sobre nós mesmos.
*-*
Imagem tela Renè Magritte, 1952 –
Wednesday, January 23, 2013
Iluminação * Virgínia vicamf Prosa
Iluminação * Virgínia vicamf
Noite
de céu limpo, repleto de estrelas, Lua cheia aproxima-se . É
possível as plêiades* visualizar por poetas entre os quais astrônomos,
físicos, filósofos, artistas... Que
afinados com luzes azuladas, dispensam o
cansaço para mirar o que está além de
seu umbigo em desapego. Estão a serviço de tons mais altos, melodiosas que se
agregam livremente, construindo seus calendários
a partir dos ventos. Somam horas pela qualidade, vivem sem desejar senão entre
o que promete ser a ventura de navegar através da imaginação lançando sua
ancora nas profundezas do universo em busca dos tesouros mais sublimes, relíquias
que revelam, supostamente a comunhão com o grande espírito e com este vibrar, ressoar,
dissolver-se para pertencer...
Sendo
seus destinos incontestáveis tal como consumir-se
em versos, criação de conceitos, e ao encontro de sua felicidade...
Como
a vela derretem-se com e para apenas iluminar...
&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&
Ilustração
- Plêiades, Digitized Sky Survey fonte Internet
Algumas
informações científicas sobre as Plêiades- “elas estão entre os objetos do céu profundo conhecidos desde
os tempos mais remotos por culturas de todo mundo, incluindo os Maoris (que as chamavam de
Matakiri), os Aborígenes australianos, os Persas (que as
chamavam Parveen/parvin e Sorayya), os Chineses, os Maias (que chamavam-nas de Tzab-ek), os Astecas
(Tianquiztli) e os Sioux da América do Norte. Os catálogos de estrelas
babilônicos chamavam-nas de MUL.MUL, ou "estrela de estrelas", e elas
encabeçavam a lista de estrelas da eclíptica, refletindo o fato que elas estavam
próximas do ponto do equinócio vernal em torno
do século 23 AEC. Seis de suas estrelas são visíveis a olho nu
em um céu noturno razoável, número que sobe para nove
em boas condições, e para 12 em um céu com excelentes condições de
visualização. Michael Maestlin desenhou 11 estrelas em sua carta estelar
em 1579 e Johannes Kepler chega a mencionar que outros
observadores do céu chegaram a contar 14 estrelas.
Observações modernas contaram
quase 500 estrelas pertencentes ao aglomerado
aberto, espalhadas em uma área com dois graus de extensão na esfera
celeste, correspondente a quatro vezes o diâmetro da Lua Cheia.
Sua densidade estelar é muito baixa comparada a outros aglomerados abertos,
razão pela qual os astrônomos afirmem que sua expectativa de vida é baixa.
As primeiras referências às Plêiades são encontradas nos livros Ilíada,
escrito por volta de 750 a.C., e Odisseia,
escrito por volta de 720 a.C., ambos de Homero, além
dos escritos de Hesíodo. Estavam conectadas ao calendário agrícola dos gregos antigos à
epoca.
Na Bíblia,
consta três referências ao objeto (chamado de "Kiymah"), em Jó
9:7-9, Jó 38:31-33 e Amós 5:8. Amós
foi escrito à mesma época que Ilíada, mas não há certeza sobre a data da
escrita de Jó (especulada entre os séculos III e V a.C., em torno do
ano 1000 a.C. durante as regências dos reis Davi e Salomão,
ou mesmo nos séculos XIII a XVI a.C., escrita por Moisés).
De acordo com a mitologia
grega, o aglomerado recebeu o
nome de "Sete Irmãs", representando sete filhas e seus pais.
Em língua
japonesa, seu nome é "Subaru",
inspiração para a indústria de automóveis de mesmo nome. O nome persa
é "Soraya", nome feminino comum em vários países. Os gregos Eudoxo de
Cnido (entre 403 e 350 a.C.) e Arato (cerca de 270 a.C.)
listou as Plêiades em uma constelação
própria, "Os Aglomeradores"
Segundo Robert Burnham Jr., o nome
"Plêiades" pode ser derivado
da palavra graga "navegar" ou de "pleios" (cheio, muitos).
Entretanto, ha outros autores que afirmam que o nome é derivado da mãe das sete filhas, Pleione,
que dá nome a uma das estrelas mais brilhantes
do aglomerado. De acordo com a mitologia
grega, as estrelas mais
brilhantes do aglomerado receberam o nome das "sete filhas" de Atlas
e Pleione: Alcíone,
Asterope, Electra,
Maia,
Mérope,
Taigete
e Celeno.
John Michell,
em 1767, usou as plêiades para calcular a probabilidade de encontrar um grupo
estelar semelhante em qualquer local do céu por alinhamento de chances.
Concluiu que a chence era 1 de 496 000. Portanto, e por causa de haver outros
mais aglomerados semelhantes, ele concluiu corretamente que os aglomerados
deveriam ser grupos estelares fisicamente ligados. O astrônomo francês Charles
Messier incluiu as Plêiades como seu objeto número 45 na primeira versão
do seu catálogo, em 1771. No catálogo de Messier,
grandes e conhecidos objetos do céu profundo não foram
incluídos, com as exceções da nebulosa de Órion, do aglomerado da
Manjedoura e das Plêiades. Aparentemente, Messier decidiu fechar sua
primeira edição do catálogo com 45 objetos, que seria o mais completo catálogo
desse tipo na época, superando em três objetos o catálogo de Nicholas-Louis de Lacaille,
publicado à mesma época.
Johann Heinrich von Mädler,
em 1846, concluiu que as estrelas do aglomerado não tinham movimento mensurável
uma em relação a outra, afirmando categoricamente que as estrelas pertenciam a
um sistema estelar maior, com a estrela Alcíone em seu centro.
Entretanto, essa afirmação foi rejeitada por outros astrônomo, em particular
por Friedrich Georg Wilhelm Struve.>>
Fonte internet
Thursday, December 27, 2012
Friday, December 14, 2012
Para meus caros amigos pelo Natal e Novo Ano ...
Caros amigos a mensagem ( tx) está publicada in Web Artigos, http://www.webartigos.com/artigos/para-meus-caros-amigos-pelo-natal-e-novo-ano/101249/#ixzz2EwRURlTZ espero que apreciem e venha a acrescentar ...
entretanto se n. tiverem tempo para o tx. deixo um cartãozinho singelo
com afeto,
entretanto se n. tiverem tempo para o tx. deixo um cartãozinho singelo
com afeto,
Thursday, December 13, 2012
tempo...frag. de um capítulo -virgínia vicamf
Toda verdadeira amizade é fruto da "investigação da estrela sem fim" plena de atenção e abertura ao outro, estabelecendo conexões ...
Para
a física atômica, “a natureza essencial da matéria não está nos objetos, mas
nas conexões”, como na harmonia musical, que para acontecer reúne em si as
notas, que, ouvidas isoladamente, são freqüências de som, vibrando em
determinada amplitude de onda. Desta harmonia surge a possibilidade de
contemplar a beleza de uma composição musical.*
As uvas e o vento
- Pablo Neruda
...Tu perguntas o que a lagosta tece -
Lá embaixo...
Com seus pés dourados.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera,
em sua veste transparente?
Está esperando pelo
tempo, como tu.
Quem as algas apertam
Em seu abraço... perguntas...
Mais firme que uma hora e
Um mar certos? Eu sei.
Perguntas sobre a mesa
Branca do narval...
E eu respondo cantando como
Unicórnio do mar, arpoado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei
Pescador...
Que vibrou nas puras
Primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano
Sabe isto: que a vida...
Em seus estojos de jóias,
É infinita como areia,
Incontável, pura; e o tempo,
Entre as uvas cor-de-sangue...
Tornou a pedra dura e lisa,
Encheu a água-viva de luz...
Desfez o seu nó, soltou
Seus fios musicais...
De uma cornucópia feia
De infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos
Olhos humanos na escuridão...
E de dedos habituados à longitude
Do tímido globo de uma laranja.
Caminho, como tu, investigando
A estrela sem fim...
E em minha rede, durante
A noite, acordo nu.
A única coisa capturada
É um peixe...
Preso dentro do vento
Investigando a estrela sem fim...
...Tu perguntas o que a lagosta tece -
Lá embaixo...
Com seus pés dourados.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera,
em sua veste transparente?
Está esperando pelo
tempo, como tu.
Quem as algas apertam
Em seu abraço... perguntas...
Mais firme que uma hora e
Um mar certos? Eu sei.
Perguntas sobre a mesa
Branca do narval...
E eu respondo cantando como
Unicórnio do mar, arpoado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei
Pescador...
Que vibrou nas puras
Primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano
Sabe isto: que a vida...
Em seus estojos de jóias,
É infinita como areia,
Incontável, pura; e o tempo,
Entre as uvas cor-de-sangue...
Tornou a pedra dura e lisa,
Encheu a água-viva de luz...
Desfez o seu nó, soltou
Seus fios musicais...
De uma cornucópia feia
De infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos
Olhos humanos na escuridão...
E de dedos habituados à longitude
Do tímido globo de uma laranja.
Caminho, como tu, investigando
A estrela sem fim...
E em minha rede, durante
A noite, acordo nu.
A única coisa capturada
É um peixe...
Preso dentro do vento
Investigando a estrela sem fim...
E foi assim...
Conversando
com o amigo cineasta Juan Delpino que me hospedava na Urca e uma recém
conhecida ali mesmo no Garota da Urca
que o conheci...
Enfadei-me
com o rumo do colóquio pois, havia saído do tema pensamento e cinema. Desta forma distraí-me
olhando os peixes no aquário e meu pensamento emudeceu como estes, eis que além
do aquário meus olhos viram no fundo do bar, sentado escrevendo, um rapaz
vestido com uma camiseta branca, despojado, cabelos negros. Nossos olhares se
cruzaram, retornei aos peixes e novamente percebi que o rapaz ergue os olhos em
minha direção; pensei é um poeta!
Retornei
ao estado de esvaziamento da mente...
Quando
dei por mim o rapaz estava ao meu lado e disse, -“ Não sei como tive coragem de vir falar contigo.” . Respondi com
uma pergunta – és poeta, escrevias
versos? ? Ao que respondeu-me- “ não
sou físico cosmólogo, estava fazendo cálculos de física.”
Disse-lhe, então com a seriedade das crianças- “ a Física e os cálculos , para mim também
são Poesia!
E, foi assim que em abril de 1986
conheci o que veio a ser o amigo mais
íntimo no sentido de proximidade anímica.
Bem
saímos do Garota da Urca( bar) e
conversando como se nos conhecêssemos por toda existência, caminhamos pelas
ruas deste bairro belíssimo, sentamo-nos na pracinha, nos envolvemos num abraço
em que os dois corpos de tão enroscados pareciam um, respiramos junto não era
sexual o prazer mas sensual no sentido literal, inteiro tântrico.
Madrugada
madura ele deixou-me no apartamento de Delpino
dizendo que seria um grande
prazer se eu mudasse para seu apartamento visto termos tantas afinidades e
tamanha vontade nossas memórias atualizar .
“A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao
presente.” - Albert Camus
Na manhã seguinte, cedo fui à praia
vermelha, mas antes passei na rua
Almirante Gomes Pereira para dar um alô ao Luiz, meu amigo físico. Ele
sonolento não hesitou em receber um abraço e confirmar seu convite. E foi assim
que mudei-me para a mística rua com perfume de jasmim e na qual era possível
ouvir um piano executado com grande maestria nas madrugas ...
Luiz
tinha uma biblioteca impressionante em quantidade e qualidade , estavam ali alguns de meus autores
prediletos além das obras completas de
Nietzsche, Jung, Freud, Espinosa, C. J. Jung, obras de Física e novas
publicações foi então que adentrei na
física quântica e atômica ( li em seu apartamento a obra recém publicada , *O
Ponto de Mutação de F. Capra ) e sua relação com o pensamento oriental que
havia estudado desde a puberdade e dedicado-me a ele na escola de filosofia .
Perguntei-lhe
se já havia lido todos ele respondeu-me
sim passei dois anos em uma cama de hospital e só podia ler...
“E você ?”perguntou-me ele, ao que respondi - vivi
desde os dez anos de idade frequentando bibliotecas e adorava as
Enciclopédias, fazia os trabalho de escola de meu irmão ( pesquisa) cinco anos
mais velho que eu. Após cada texto havia as referencias e as seguia o que me levava a querer conhecer todos
autores, ler seus livros e cada um trazia mais referencias. Abria aquelas mesas
enormes e espalhava o maior número de obras
possíveis e me perdia no tempo até que o bibliotecário, com óculos de fundo de
garrafa, vinha avisar-me que ia fechar o estabelecimento. E assim prossegui
lendo, lendo, muitas vezes não entendo os conceitos, buscando dicionários... O
que favoreceu meu gosto pela leitura foi também ter vivido longe do dito mundo
civilizado, por diversas ocasiões, onde havia silêncio, sem aparelhos de
televisão e, nestes retiros da urbe levava malas cheias de livros além de
encontrar amantes da leitura que possuíam ótimas bibliotecas nos mais
inusitados vilarejos da terra do Pau Brasil.
Hospedando-me
, quando ia ao RJ no apartamento do Luiz, tive acesso aos seus trabalhos e
manuscritos de seus amigos que passava a ler nas madrugadas enquanto ele quieto como sempre, perdia-se em
seus cálculos.
" eu faço minhas coisas e vc. as suas se nos encontrarmos quando nos encontramos é lindo " F. Perls
Foram
os tempos mais lindos que vivi e, talvez ele tenha sido o único ser humano com
o qual compartilhei espaço-tempo sem
conflito algum, cada um fazia suas coisas sem conversas a interromper,
deixávamos bilhetes um ao outro e por vezes sentávamos e tocávamos afeto.
Íamos às aulas do Prof. Claudio Ulpiano e raras
vezes à bares. Eu saía para as aulas e trabalho ele lecionava e trabalhava no
CNPQ com horários muito flexíveis. Nossa comunicação prosseguiu como fora desde
o primeiro encontro, de forma límpida como cristal, nossos inconscientes
travavam conhecimento mútuo além, muito além do que o consciente o poderia.
Passamos
três anos sem nos vermos, pois eu entrei
de cabeça no trabalho em minha cidade natal no RS, mais de dez horas diárias e
em 1989 retornei a dividir o tempo entre o RS e o RJ. Novamente hospedada no apartamento do L. A.
O.
Além
dos estudos e do trabalho a Urca me proporcionou
estar entre “ meus tesouros” amigos com afinidades culturais a orla, uma
das mais belas do planeta , o oceano, este
visto através do passeio da Urca um privilégio para poucos! Como
tornei-me conhecida no bairro a
guarda permitiam-me entrar no
forte , então nas águas desertas de humanas presenças , nadava, ruminava as
leituras, recarregava as baterias, meditava, fluía...
Estes
prazeres perduraram até novembro de 1994 pois em abril de 1995
sofri o meu acidente que restringiu minha capacidade locomotora e exigiu-me priorizar e reorganizar minha
vida em todas as áreas, familiar, profissional e social. Mesmo com perdas
expressivas, lutos e lutas através
de telefonemas e da internet com
Luiz houve trocas mas nada comparado a presença física, pois que esta nos
colocava na freqüência sem interferências.
Entretanto algo interessante continua acontecendo, além
de fatos que ora não desejo comentar, coincidências impressionantes acontecem ainda, de alguma
forma estamos conectados porque os mesmos autores a mesma busca pelo início de
“tudo” nos aproximou, o afeto pelas orlas e por crermos que o sentir tem maior
potência que o pensar...
Talvez
algum dia continue retorne a detalhes significativos sobre os reconhecimentos,
encontros que fazem a diferenças... A
paciência é uma de minhas qualidades e seu lado escuro é a morosidade...
O
que nos toca profundamente penso seja o
mais difícil de colocar em palavras de forma objetiva.
Passados 26 anos ainda é difícil conter as emoções
ao compartilhar fragmentos de um dos
capítulos mais místicos, líricos que deram origem a outros encontros não menos
surpreendentes. .
Nota
- Atualmente L.A. Oliveira é curador
do Museu do amanhã projeto do arquiteto espanhol
Santiago Calatrava , exemplo de construção sustentável e servirá como ponto de
referência não apenas em arte, mas também em discussões sobre o futuro da humanidade
e do planeta, vai tornar o Píer novo
cartão-postal obrigatório do Rio será o maior museu de ciência
do país localizado na cidade do
Rio de Janeiro RJ.
publicado na coluna considerações portal VMD http://www.vaniadiniz.pro.br/virginia_fulber/cronica_e_foi_assim.htm
no Recanto das Letras
e no Portal da AVSPE -
no Recanto das Letras
e no Portal da AVSPE -
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