Thursday, November 16, 2006

a Pedra ...Fonte d ´água - a Pedra...










Sísifo negociou um segredo por uma fonte dágua

e por amor a vida enganou Hades e viveu mais

um pouco....
"...quando ele viu novamente a face do seu mundo, gozou a água e o sol,
as pedras quentes e o mar, não quis mais retornar à escuridão infernal...."

( Albert Camus O Mito de Sísifo )












“ Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder uma questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder.
E se é verdade, como quer Nietzsche, que um filósofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a importância dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. São evidências sensíveis ao coração, mas é preciso ir mais fundo até torná-las claras para o espírito. Se eu me pergunto por que julgo que tal questão é mais premente que tal outra, respondo que é pelas ações a que ela se compromete. Nunca vi ninguém morrer por causa do argumento ontológico. Galileu, que sustentava uma verdade científica importante, abjurou dela com a maior tranqüilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade não valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, é-nos profundamente indiferente.” (Alber Camus O mito de Sísifo)



" A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente ! " A. Camus -




“Não existe pátria para quem desespera e, quanto a mim, sei que o mar me precede e me segue, e minha loucura está sempre pronta. Aqueles que se amam e são separados podem viver sua dor, mas isso não é desespero: eles sabem que o amor existe. Eis porque sofro, de olhos secos, este exílio. Espero ainda. Um dia chega, enfim... “(Do mar bem perto )


#####################







index in outubro 08


Albert Camus foi escritor e filósofo, (ver-Albert Camus em Portugues) conhecido por tornar o O mito de Sísifo a melhor representação do absurdo da vida humana. Morreu em um desastre de automóvel, com o bilhete de trem no bolso. Resolvera aceitar a carona de um amigo, que espatifou o carro contra uma árvore. Amante dos esportes, contraiu tuberculose muito jovem. A forma como viveu e como morreu, parecem comprovar a tese do absurdo.





Albert Camus
*Reinério Luiz Moreira Simões

entre o sol e o calor da peste,

um jovem escreve sobre o homem

sem rio sagrado ou Jerusalém celeste.




a mãe não fala porque desconhece

o poder das palavras.

0 pai teve morte inútil na guerra

(todas as mortes inúteissobre o palco inútil da terra)




o jovem bebe vinho

e banha-se no mar,

até perder os pulmões

sem saber o motivo.




passou o resto da vida

sem razão para estar vivo.

alguns de seus pares

reconheceram a beleza dura,

o tropel de suas palavras.


ganhou o Prêmio Nobel

(ainda sem saber o motivo).




morreu esmagado contra uma árvore.

um anjo bêbado que passava pelo local

fechou os olhos de Camus

e perdoou

mais um fracasso de

Deus.
(Publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais, n° 1292, julho de 2006

Foto > Cachoiera <>


1 comment:

Diógenes said...

Belíssimas formatações.
Meus parabéns, VIRGÍNIA
Diógenes