Wednesday, April 20, 2016

para que escrever ? creio apropriado reler entrevista - palavra nua de Foucault releituras referenciais

"(...)Esse coração venenoso das coisas e dos homens -é isso, no fundo, o que eu sempre procurei trazer à tona.(...)"Então eles não estavam mortos!"
> "LE MONDE" - São Paulo, domingo, 21 de novembro de 2004- 
 
Leia trecho de entrevista de 1966 em que o filósofo explica a relação entre escrita e morte 

Michel Foucault já concedeu muitas entrevistas, mas poucas vezes falou sobre aquilo que o liga de maneira íntima à escrita, à qual ele chegou tarde e por necessidade. Nesta entrevista de 1966, ainda inédita e dada a Claude Bonnefoy após o lançamento de "As Palavras e as Coisas" [Martins Fontes] -e conservada no Centro Michel Foucault-, o filósofo francês fala de suas dúvidas, convicções e de sua relação íntima com a escrita.
 
Assim, minha relação com a escrita era um pouco complicada, um pouco sobrecarregada. Mas existe outra recordação, bem mais recente. É o fato de que, no fundo, eu nunca levei muito a sério a escrita, o ato de escrever. O desejo de escrever só surgiu forte em mim quando eu tinha cerca de 30 anos. Para chegar a descobrir o prazer possível da escrita, foi preciso estar no exterior.
Eu estava vivendo na Suécia e me via obrigado a falar ou o sueco, que conhecia muito mal, ou o inglês, que praticava com muita dificuldade. Meu conhecimento fraco dessas línguas me impediu de dizer o que eu realmente queria durante semanas, meses, até mesmo anos.
Eu via as palavras que queria dizer sendo travestidas, simplificadas, tornando-se como pequenas marionetes irrisórias à minha frente, assim que as pronunciava.
Nessa impossibilidade de usar minha língua própria, percebi, em primeiro lugar, que esta possuía uma espessura, uma consistência, que ela não era simplesmente como o ar que respiramos, uma transparência absolutamente insensível, mas que tinha suas leis próprias, seus corredores, suas linhas, seus declives, suas costas, suas irregularidades -em suma, que tinha uma fisionomia e que formava uma paisagem na qual podíamos caminhar e descobrir em volta das palavras, das frases, de repente, pontos de vista que não apareciam até então.
Nessa Suécia em que tinha que falar uma língua que me era estranha, compreendi que podia habitar minha língua, com sua fisionomia repentina particular, como o lugar mais secreto, mas mais seguro, de minha residência nesse lugar sem lugar que é o país estrangeiro no qual nos encontramos.
Hoje, o problema que me preocupa -e que, na realidade, não pára de me preocupar há dez anos- é o seguinte: em uma cultura como a nossa, em uma sociedade como a nossa, o que significa a existência das palavras, da escrita, do discurso? Me pareceu que nunca atribuímos importância tão grande ao fato de que, ao final de tudo, o discurso existe.
Os discursos não são apenas uma espécie de película transparente através da qual e graças à qual enxergamos as coisas, eles não são simplesmente o espelho do que é e do que pensamos. O discurso possui uma consistência própria, sua espessura, sua densidade, seu funcionamento. As leis do discurso existem do mesmo modo que as leis econômicas existem.

As pessoas sentem minha escrita como uma agressão; elas sentem que existe nela alguma coisa que as condena à morte; eu não as condeno à morte, simplesmente suponho que já estejam mortas


É claro que ela marca uma conversão total com relação àquilo que, para mim, era a desvalorização absoluta da palavra quando eu era criança. Me parece -creio que consiste nisso a ilusão de todos aqueles que acreditam descobrir alguma coisa- que meus contemporâneos são vítimas das mesmas miragens de minha infância. Também eles crêem facilmente demais, como eu fazia no passado, como se acreditava em minha família, que o discurso, a linguagem, não é grande coisa, no fundo.
Os lingüistas, eu sei, descobriram que a linguagem é muito importante porque ela obedece a leis, mas eles insistiram sobretudo na estrutura da linguagem, ou seja, na estrutura do discurso possível.
Mas eu me pergunto é sobre o modo de surgimento e funcionamento do discurso real, sobre as coisas que foram efetivamente ditas. Trata-se de uma análise das coisas ditas, na medida em que são coisas. É isso que é o oposto do que eu pensava quando era criança.
Sinto uma impressão de veludo quando escrevo. Para mim, a idéia de uma escrita aveludada é como um tema familiar, no limite do afetivo e do perceptivo, que não pára de assombrar meu projeto de escrever, não pára de guiar minha escrita quando estou escrevendo, que me permite a cada momento escolher as expressões que quero utilizar. A doçura é uma espécie de impressão normativa para minha escrita. Assim, fico muito espantado ao constatar que as pessoas tendem a enxergar em mim alguém cuja escrita é seca e mordaz.
Refletindo sobre isso, acho que são elas que têm razão. Imagino que deve existir, em minha caneta, uma velha herança do bisturi. Talvez, afinal, eu trace sobre a brancura do papel os mesmos sinais agressivos que meu pai traçava sobre os corpos dos outros que ele operava. Transformei o bisturi em caneta. Passei da eficácia da cura à ineficácia da livre proposta, substituí a cicatriz sobre o corpo pela grafitagem sobre o papel, substituí o inapagável da cicatriz pelo sinal perfeitamente apagável e rasurável da escrita. Talvez seja mesmo o caso de ir mais longe ainda. A folha de papel, para mim, talvez seja como os corpos dos outros.
O que é certo, o que eu senti imediatamente quando, perto dos 30 anos de idade, comecei a sentir o prazer de escrever, é que esse prazer de escrever sempre guardou um pouco de relação com a morte dos outros, com a morte de modo geral. Essa relação entre escrita e morte é algo do qual mal ouso falar, pois sei quanto alguém como [Maurice] Blanchot já falou sobre coisas muito mais essenciais, gerais, profundas e decisivas do que o que eu possa dizer agora.
Eu diria que a escrita, para mim, está ligada à morte, talvez essencialmente à morte dos outros, mas isso não significa que escrever seria como assassinar os outros e realizar contra eles, contra sua existência, um gesto definitivamente mortífero que os expulsaria da presença, que abriria um espaço soberano e livre à minha frente. De maneira nenhuma. Para mim, escrever significa lidar com a morte dos outros, sim, mas, essencialmente, significa lidar com os outros na medida em que já estão mortos. De certa maneira, falo sobre o cadáver dos outros. Devo confessar que, até certo ponto, eu postulo sua morte. Falando deles, me vejo na situação do anatomista que faz uma autópsia.
Com minha escrita, eu percorro o corpo do outro, faço incisões nele, levanto os tegumentos e as peles, procuro trazer os órgãos à tona e, com isso, fazer aparecer finalmente o local da lesão, o local onde reside o mal, esse algo que caracterizou sua vida, seu pensamento e que, em sua negatividade, acabou por organizar tudo o que eles foram. Esse coração venenoso das coisas e dos homens -é isso, no fundo, o que eu sempre procurei trazer à tona.
Eu compreendo, também, porque as pessoas sentem minha escrita como uma agressão. Elas sentem que existe nela alguma coisa que as condena à morte. Na realidade, sou bem mais ingênuo do que isso. Eu não as condeno à morte. Simplesmente suponho que já estejam mortas. É por isso que me surpreendo quando as ouço gritar. Fico tão espantado quanto o anatomista que sentisse redespertar de repente, sob a ação de seu bisturi, o homem sobre o qual pretendia fazer uma demonstração. Bruscamente, os olhos se abrem, a boca se mete a gritar, o corpo a se retorcer, e o anatomista se espanta: "Então ele não estava morto!".
Acho que é isso o que acontece comigo em relação àqueles que me criticam ou gritam contra mim, depois de me haver lido. Sempre é muito difícil para mim responder a eles, exceto por uma desculpa, desculpa que eles talvez interpretem como ironia, mas que, na realidade, é a expressão de meu espanto: "Então eles não estavam mortos!".

Tradução de Clara Allain.
abç virgínia ( vic) coordenadora por uma década do Canal de Filosofia Portal VMD( extinto )

DO "LE MONDE" 
O sr. poderia explicar como abordou a escrita? Uma de minhas lembranças mais constantes -certamente não a mais antiga, mas a mais obstinada- é a das dificuldades que tive para escrever bem. Escrever bem no sentido em que se entende o termo na escola primária, ou seja, criar páginas de escrita bem legíveis. Acredito -na verdade, tenho certeza- que, em minha classe e minha escola, eu era o mais ilegível. Isso continuou por muito tempo, até os primeiros anos do ensino secundário.
Quando o sr. começou a escrever, houve uma reviravolta, então, com relação a essa concepção primeira e desvalorizadora da escrita? A reviravolta veio, evidentemente, de mais longe. Mas cairíamos numa autobiografia ao mesmo tempo anedótica demais e banal demais para que fosse interessante falarmos dela. Digamos que foi por meio de um trabalho longo que eu finalmente conferi a essa palavra tão profundamente desvalorizada um certo valor e um certo modo de existência.

Wednesday, February 03, 2016

Poucos anos ...* virgínia vicamf vic berger

 desconstrói, descomplica isenta da conta do sujeito do inconsciente a culpa e também as dês culpas. pega o giz e faz um traço que se converte em linhas curvas ...viste é quase mar e o sol é uma laranja doce! 

quando o sonho do avesso já não dói na barriga feito vidro a vida é plena.. . vês o caminho ascendente que ao mediterrâneo a mente nos leva em fração de segundos... 






viajar...ah! a imaginação não subtrai, já a realidade muitas vezes o sonho trai ... vaso de cerâmica, corda, juta ...nós? junta tudo mexe no pires a borra do café com mel, fica bonito! pedrinha colorida de rio eu vi, coloquei no bolso e adormeci... acordei e tinha cinqüenta e muitos anos. 
embriagada de mar trouxe dos peixes d´oceano o cristal que reflete o que ainda não vivi... em tão poucos anos... Poucos anos , <   vic berger,virgínia 2013- vicamf -  além mar mulher  peixe voador > 


 fotos  1 & 2 -  pedacinho de paraíso cabe-nos  preservar, visto que a Figueira está sob nossa custódia, Local-  às margens da Lagoa da Custódia, Municipio Tramandaí RS BR

imagem 3 - arte - Martin Hsu

Tuesday, February 25, 2014

O Poeta e as Artes- Reiner Maria Rilke breves considerações

O Poeta e as Artes- Reiner Maria Rilke breves considerações * virgínia vicamf
 
 
 















Inicialmente sobre a Obra  O diário de Florença-
Em 1897 o Poeta foi apresentado a intelectual Lou Andreas-Salomé  (amiga, discípula do Filósofo F. Nietzsche que mais tarde tornou-se Psicanalista) que provocou uma mudança radical na vida deste .Lou incentivou-o na preparação da viagem a Florença, onde ele pretendia estudar a língua italiana e assistir a cursos sobre história da arte. Rilke começa a redigir a obra (cartas) assim que desembarca na cidade italiana em 15 de abril de 1898 e a termina em 06 de julho do mesmo ano. O diário não é um rigoroso relato de viagem nem uma sucessão cronológica de fatos e sim um envolvente relato no qual compartilha suas emoções, descobertas, experiências e reflexões sobre as artes, particularmente sobre a arte do Renascimento, com Lou Andreas- Salomé além de dirigir-lhe palavras afetuosas . A obra é dedicada a ela.

Trecho do diário: "O sentimentalismo pressupõe a fraqueza, o amor pelo sofrimento. Mas creio que ninguém deixa transparecer tão nitidamente a luta contra o sofrimento como Botticelli. E esse sofrimento não é uma tristeza passiva, imotivada (...), e sim o sentimento ocasionado por esta primavera estéril que se exaure em seus próprios tesouros."
 
A solidão foi um combustível indispensável ao Poeta Rainer Maria Rilke .

Depois de Florença, Rilke, planejou uma viagem à Rússia a convite de Lou Andreas Salomé , que além de amiga foi sua amante e o estimulou a trocar de nome, ou seja substituir o enorme nome de batismo ; René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke(trocou o seu primeiro nome por Reiner)o que resultou no nome pelo qual o conhecemos; Rainer Maria Rilke.











 
Na primavera de 1901 o Poeta casou-se com a Artista Clara Westhoff (aluna do Artista August Rodin) e tiveram uma filha Ruth, no início de 1902, mas dentro de seis meses, eles concordaram em viver separados, a fim de melhor exercer a sua arte. Mantiveram um relacionamento cordial com breves reuniões, entretanto os “Rilke” como família não viveram juntos. Ela morreu em Fischerhude em 1954.Sua casa e estúdio é hoje Café Im Rilke-Haus - Entre as obras sobreviventes de Clara Westhoff (Rilke) está retrato do busto de Ranier Maria Rilke (Gesso sobre base de gesso 1901). Para ler sua rica Biografia
 
Rilke foi secretário do grande Escultor que exerceu grande influencia sobre sua poética entre 1905 a 1906. Em sua Obra reúne seus dois ensaios sobre o escultor francês . Traduzido por Daniela Caldas-Rio de Janeiro- Relume Dumara, 1995-Título original, Auguste Rodin. 
 
“Com essa descoberta (da superfície) começa o autêntico trabalho de Rodin. (...) Não havia poses, nem grupos, nem composição. Havia somente incontáveis superfícies vivas, havia somente vida (...). Rodin percebia a vida, que estava em toda parte, em qualquer lugar que olhasse. Ele a percebia em todos os lugares, observava-a, dirigia-se a ela. Ele a esperava onde ela hesitava, na sua superação; ele a pegava onde ela corria, e encontrava-a em todos os lugares em seu tamanho original, com a mesma força que a impelia. Não havia então nenhuma parte do corpo diminuta ou sem significado: ele era vivo” pgs. 31-32.

Até 1912, Rilke visitou diversos países, participou de inúmeras conferências. Fixou residência na Suíça alemã, onde desenvolveu um “ estilo de vida do artista puro”; livre de preocupações familiares, concentrado exclusivamente ao trabalho. Morreu em 1926, de leucemia. Deixou-nos ” uma poesia seminal, da qual as palavras brotam como se fossem os próprios seres da natureza.”
 
Outra obra além das supracitadas e inúmeras conhecidas do Poeta destaco ainda < Cartas sobre Cézanne- (correspondência trocada com sua esposa a artista plástica Clara Westhoff Rlke- tradução de Pedro Süssekind. Ed.Rio de Janeiro- 7 Letras, 2001. Título original: Briefe über Cézanne.

Notas - 
Livro O diário de Florença- Rainer Maria Rilke. Traduzido por Marion Fleischer - São Paulo : Nova Alexandria, 2002. – 143 pág.- Título original: Das Florenzer Tagebuch
Sobre Ilustração 1- Em 1872, um imponente torso masculino foi descoberto por O. Rayet e A. Thomas no teatro em Mileto, uma cidade helenística próspero na Ásia Menor. No ano seguinte Edmond e Gustave de Rothschild, que subsidiaram a expedição, apresentou-o ao Louvre. O torso, esculpida em torno de 480-470, foi restaurada no século II aC, antes de serem reutilizados no teatro romano, provavelmente como parte da parede do palco. Vários detalhes-incluindo marcas de ferramentas na superfície do mármore, a modelagem robusta, ea posição do braço direito de chumbo nos atribuir esse trabalho para um dos dois escultores do final do século VI aC. Alguns vêem semelhanças com um bronze Apollo esculpidas por Kanachos de Sikyon para o templo em Didyma. Outros vêem o estilo de Pitágoras, que criou estátuas de atletas que foram admiradas por seu realismo - Fonte
 
O Poema de Reiner Maria Rilke
foi inspirado pela obra .
 
“Não fosse assim, seria essa estátua uma mera     
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fera.
Seus limites não transporia desmedida 
Como estrela: pois ali ponto não há 
Que não te mire. Força é mudares de vida”.
 
a tradução é do ilustre Manuel Bandeira





Monday, July 22, 2013

25 de Julho- Escritor dia dos


 
 
Trans crê ver * virgínia vicamf
 
Lépidas, ágeis asas multicor
São os anjos a soprar
Névoas a cortejar
As mãos do escritor
 
Entre os dedos a decorar
Anel, terço e ardor
No peito intenso labor
Envolve a tez e sobrepõe-se à dor
 
Ofício de encanto
Ou papel tingido de pranto
É assovio de pena na lente do ouvido
 
Vê melhor quem possui asas na mão
Eterniza-se transcrevendo experiência
Conhecimento e emoção...
( variação de meu  soneto escrito 2009- publicado@ -
Respeite os direitos autorais Publicado No Recanto das Letras 18 -10 -2009 http://www.recantodasletras.com.br/sonetos/1873563
 
 
 

AMIGOS

 

 celbrando
 de véspera
Salve 20
de julho
“Dia do AMIGO!” 
Na palavra que me é mais cara;  “Amigo”,está minha "ciência' de existência de um infinito! 
Um som que ressoa  entre as vidraças, ainda lambidas de chuva e fumaça... 
Um trem circular entre terra e mar que desconhece limites, atinge o céu em plena tempestade,
vaporiza-se em cadeias, teias, emanando luminosidade reveladora.
Entre olhares não vistos, adivinhamos rotas dspretensiosamente atingindo caminhos
não percorridos ...
Amigos recriam elos perdidos trazendo significado ao vivido...
Queridos sois devires de potências aos percursos desejados...
 
Como não crer naquilo que não se vê e, no entanto intui-se; na admirável conexão entre as pontes, fontes moleculares que vibram numa frequência de mesma potência e alinhamento? 

Amigos, gentes, sementes, mentes, corpúsculos de um mesmo organismo que, tendem ao encontro por atração ...
Há orquestração entre nossos corpos por havermos anteriormente afinado-nos intimamente e prosseguimos alinhavando afinidades e harmonizando-nos... 

Somos conjunções de fluxo e refluxo de estares, existências à caminho de nossas identidades intensificadas.
Através de encontros e reencontros percebe-se um Modelo ?  padrão ? Ensaio ou erro ? ...Vida!

Na palavra que me é mais cara; “Amigo”,está minha "ciência' de existência de um infinito! - 

               Virgínia vicamf bailarina... além mar mulher peixe voador  -2002 No Recanto das Letras http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/4391598

Publicado anteriormente em 2002


 

Thursday, June 13, 2013

Ensaio do sem fim ...* virgínia vicamf -

 
Ensaio do sem fim ...* virgínia vicamf  -
A folha de papel abriga areia, rochas, palmeiras e mar... Embalada nas águas que desenho, o sonho cresce e prossegue navegando.
Atenta às velas que me conduzem entre os azuis deste céu e mar
reinvento as horas de tardes sem fim...Tardes que quedam a dormir e quando dormem com olhos bem cerrados gravitam o breu das esferas longinquoas...
Noites não são filhas do vento tampouco mães das manhãs...
São o avesso das tardes sem fim...
Adormeço e mais uma vez todos os tons de azul mesclados com as cores quentes das primeiras horas das tardes sem fim...
Quem me dera fossem elas como a grande tela que pinto e medro sem receios de perder a cor da brisa que vem do leste e trazem consigo o calor germinal...São tão férteis as águas...
São mães das tardes e todas  convidam a velejar...
 
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Um excelente vídeo Arte e Vela  no link http://www.youtube.com/watch?v=b0OMYE4_1PM
<<Quando os artistas franceses da metade do século 19 abandonaram os estúdios e foram com seus cavaletes, tintas e pincéis para a rua inventar o impressionismo, encontraram o mar. E no mar havia barcos. Barcos a vela.
Boudin preferiu não molhar os pés e colocou os veleiros no plano de fundo dos quadros em que enfoca os encontros dominicais nas praias de Trouville, Normandia, que é para onde os parisienses levavam suas cadeiras e sombrinhas, e lá se deliciavam com os saudáveis ventos do Canal da Mancha.
Manet, que tentou ser marinheiro, mas, felizmente não conseguiu aprovação
após algumas viagens, mostra parte de sua paixão pelos navios ao retratar a saída de um vapor rodeado por veleiros de velas escuras, na Bologna, antes de aliviar as cores e pintar mais um preguiçoso domingo sob o sol da Normandia.
Enquanto isto, do outro lado do Atlântico, Winslow Homer usava o litoral de sua Boston natal como inspiração para as paisagens marinhas que o elevaram a condição de um dos mais importantes artistas americanos do século 19. Longe das teorias impressionistas de seus pares europeus, onde o retrato do lazer, a ausência de detalhes e a forte e clara luz eram uma constante, a pintura de Homer mostra à faina de pescadores e portuários em quadros ainda com as características carregadas dos renascentistas.
O retorno ao doce far niente encontra Cloude Monet e Gustav Caillebotte envoltos na Regata de Argenteuil, por volta de 1870. Monet pintando, Caillebotte velejando. Amigos e vizinhos, cada um passou para o outro um pouco de sua arte. Quem de nós não se vê orçando na "Onda Verde" que Monet retratou como se estivesse na tripulação do barco à barlavento? Ou na "varanda" dos nossos clubes, extasiados com as visões dos barcos ancorados e do movimento de outros navegando na linha do horizonte, como mostra a arte do mestre?
Odilon Redon, que pinta casais em solitários veleiros emoldurados
por céus impressionantes, demonstra seu amor e respeito pelo mar no desenho "O espírito das Águas", onde um enorme rosto com expressão suave olha pelos navegantes do minúsculo veleiro abaixo de si.
O pós-impressionismo do fim do século 19, início do século 20, perdeu a luz, voltou para dentro de casa e trouxe as cores vivas para a pintura vanguardista daquela época. E com elas veio Henri Matisse, que abre uma colorida janela para o atracadouro dos veleiros.
O Russo Wassily Kandinsky já morava em Berlin quando se tornou um
dos primeiros e mais importantes pintores abstratos. Seu abstracionismo, no entanto, não chaga ao ponto de esconder completamente o veleiro no quadro Mit und Gegen. Seu amigo e colega da cátedra na Bauhaus, o suíço Paul Klee, também voltou seus lápis para o mar e de lá interpretou o que viu e chamou um de seus maravilhosos quadros de "Porto de Veleiros".
Grande parte da arte de boa qualidade das primeiras décadas do século 20 vem da Alemanha. De lá surge Lyonel Feininger, também professor na Bauhaus, que seguiu os passos de Pablo Picasso, e usou o cubismo para pintar veleiros retos, ondas retas, nuvens retas em estonteantes velocidades e movimentos. Até que o realismo do americano Edward Hopper entra na raia.
Conhecido por suas imagens melancólicas em paisagens urbanas repletas de solitários, Hopper parece ter encontrado na beira do mar um contraponto para sua arte inquietante.
A música, Joana Francesa, é de Chico Buarque e a voz é de Badi Assad.
Tarcísio Mattos, comandante do Zephyrus

Tuesday, June 11, 2013

Luís Vaz de Camões & amigos Portugueses...um abraço

Luís Vaz de Camões faleceu em 10 de junho de 1580. A Pátria Portuguesa comemorando seu dia nesta data apropriadamente homenagia àquele foi portavoz dos sentimentos de seu povo através da Poesia e fez-se cantar além mares e influenciar e inspirar a Poesia aos amantes desta bela arte expressiva. Aos amigos portugueses meu carinho e a todos vcs. meu bem querer...


Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.

Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.- 
                            Luís de Camões




& como não cantar as estrofes que de "cor" se sabe...

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? -
Luís de Camões

Camões ...

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.

Mas triste de quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.
Luís Vaz de Camões

Saturday, June 01, 2013

Sábados & além - * virgínia vicamf

No dorso da tarde sombria um soneto pega carona, segue preguiçoso como as gotas de chuva na relva e o bocejar das nuvens em estiagem incerta como a esperança do sonho de primavera gerido no verão... Ah! As tardes de sábado tem costas largas e pés ligeiros.
Andam com se quisessem recuperar o irrecuperável... Por mais alto que os pássaros tenham cantado  seu eco já se foi e o vento apagou o que foi escrito na areia. Ah! As  pedras benditas, nelas podemos ler os verbos e exclamações dos fortes; são eles os  ventos, nuvens e oceanos que movem areia águas e caminhos desenham...
 
Já as manhãs de sábado tem olhos grandes desprezam limites avançam sobre os membros das tardes possuem a ilusão de que tudo podem , até o sol lhes alimenta a fantasia que como tal faz com que se percam de si compondo  sombras no meio dia...  
 
 
A noite de sábado tem longas melenas trançadas pela  Bacantes  que as adornam com flores e fitas multicolorida enquanto esperam o cortejo de Dionísio. Noites de promessas e quimeras regadas à ditirambos. Mesmo os que ficam sós, melancólicos ou em paz percebem os som das tranças da noite de sábado,   quando lançadas aos adeptos da orgia que apressam-se a agarrar-se a ela e deixarem-se balançar sobre a rotina, deixando para trás obrigações, tediosos afazeres...Ah! quão  salutar é tornar-se bailarino, inventar amores, deixar a imaginação compor o corpo lépido que entrega-se às inocências...Uma grande esperança permeia estas noites em que tudo é possível porque ela está grávida do benfazejo domingo ...
Ah! Domingo já nasce  generoso e compreensivo e logo passa a perdoar nossas imperfeições, dá desconto aos atrasos, as ausências...Ao desdobrar-se vai tornando-se um milagroso remédio, ao anoitecer dá  doses extras da sua poção mágica  que saram dores do corpo e d´alma àqueles que à ele se entregam confiantes . Domingo tem uma voz rouca , voz de sábio e filósofo que utiliza para baixinho confidenciar a cada um dos viventes que a vida se constrói vivendo o  presente. Os que ouvem e crêem em seu ensinamento desvendam  o enigmático  sorriso da Segunda feira, a cor rosada da face da Terça feira, e assim por diante dia após dia com sua nova oportunidade de reinventar-nos e abrimo-nos às epifanias que estão além das humanas tábuas, réguas, regras ditames humanos que por demasiadamente humanos atribuímos aos deuses...Já é tempo de ousarmos fazer da vida uma obra de arte, dando  vazão ao  pulsar da estrela que arde em nós...  Carpe Dien!
 
Ilustração 1- foto virgínia Morro das Pedras SC BR
2-  obra do artista Rafal Oblinski

Thursday, April 25, 2013

Dialogando com a arte * Virgínia vicamf


Dialogando com a arte
                         * Virgínia vicamf
 
A tela de Magritte Les valeurs personnelles seqüestrou meus sentidos por semanas. Custei a encontrar o significante ... No presente algo do passado revivia. Agora tudo  tornou-se  nítido ... Inicialmente coloquei-a de lado no  entanto em meu sonho as cores de tons rosados da tela manifestaram-se  provocando sensações do conforto uterino, sim havia um grande e agradável útero artificial  nas dimensões de uma caverna e construído por um personagem masculino de grande relevância em minha existência.

Dois dias após o sonho voltei a contemplar a tela e senti necessidade de registrar um pensamento que me provocara desta feita...

Sendo; Viver  em celestial  transparência, sonho encadernar com a textura de nuvens banhadas do poente... Como miçanga n´ohar que sentimento profundo revela, são as almas; “decifrágeis”; confessas nos detalhes dos objetos com os quais se cerca... * 

Passou-me pela mente compartilhá-lo e novamente ao formatar o afeto brotou do inconsciente... Sim esta tela representa para mim o universo de meu amado pai, seu requinte na simplicidade de objetos, a doçura posta em atos, o bom gosto, a arte no retoque, o saber saborear um bom vinho com inigualável calma... Sim o meu pai poet´artista libertário estava aí retratado na obra de Renè Magritte! 

Senti a suavidade de seu rosto após barbear-se e o cheiro de sua loção  bem como seus braços recebendo-me em seu colo, passaria por minha “ inspeção” suas bochechas antes do jantar... 

Na tela, no sonho em minha vida os tons roses pastéis,  íntimos d´alma  contrastando com o azul da imensidão do espírito... 

Com o insight emerge a “miçanga” cintilante que ruma aos meus lábios que docemente pronunciam que saudades de ti pai...  
Quando uma obra de arte dialoga conosco intensamente toca nossa intimidade de maneira a colocar-nos frente à frente aos nossos mais preciosos afetos tornando-se  espelho do avesso que se desdobra e nos faz dobrar-nos sobre nós mesmos. 
                                              *-*
Imagem  tela  Renè Magritte, 1952 –

Wednesday, January 23, 2013

Iluminação * Virgínia vicamf Prosa

Iluminação  * Virgínia vicamf
 
 
Noite de céu limpo, repleto de estrelas, Lua cheia aproxima-se . É possível as plêiades* visualizar por poetas entre os quais astrônomos,  físicos, filósofos, artistas... Que afinados com  luzes azuladas, dispensam o cansaço para mirar o que está  além de seu umbigo em desapego. Estão a serviço de tons mais altos, melodiosas que se agregam  livremente, construindo seus calendários a partir dos ventos. Somam horas pela qualidade, vivem sem desejar senão entre o que promete ser a ventura de navegar através da imaginação lançando sua ancora nas profundezas do universo em busca dos tesouros mais sublimes, relíquias que revelam, supostamente a comunhão com o grande  espírito e com este vibrar, ressoar, dissolver-se para pertencer...
Sendo  seus destinos incontestáveis tal como consumir-se em versos, criação de conceitos, e ao encontro de sua felicidade...
Como a vela derretem-se com e para apenas iluminar...
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Ilustração - Plêiades, Digitized Sky Survey fonte Internet
 
Algumas informações científicas sobre as Plêiades- “elas estão entre os objetos do céu profundo conhecidos desde os tempos mais remotos por culturas de todo mundo, incluindo os Maoris (que as chamavam de Matakiri), os Aborígenes australianos, os Persas (que as chamavam Parveen/parvin e Sorayya), os Chineses, os Maias (que chamavam-nas de Tzab-ek), os Astecas (Tianquiztli) e os Sioux da América do Norte. Os catálogos de estrelas babilônicos chamavam-nas de MUL.MUL, ou "estrela de estrelas", e elas encabeçavam a lista de estrelas da eclíptica, refletindo o fato que elas estavam próximas do ponto do equinócio vernal em torno do século 23 AEC. Seis de suas estrelas são visíveis a olho nu em um céu noturno razoável, número que sobe para nove em boas condições, e para 12 em um céu com excelentes condições de visualização. Michael Maestlin desenhou 11 estrelas em sua carta estelar em 1579 e Johannes Kepler chega a mencionar que outros observadores do céu chegaram a contar 14 estrelas.
Observações modernas contaram quase 500 estrelas pertencentes ao aglomerado aberto, espalhadas em uma área com dois graus de extensão na esfera celeste, correspondente a quatro vezes o diâmetro da Lua Cheia. Sua densidade estelar é muito baixa comparada a outros aglomerados abertos, razão pela qual os astrônomos afirmem que sua expectativa de vida é baixa.
As primeiras referências às Plêiades são encontradas nos livros Ilíada, escrito por volta de 750 a.C., e Odisseia, escrito por volta de 720 a.C., ambos de Homero, além dos escritos de Hesíodo. Estavam conectadas ao calendário agrícola dos gregos antigos à epoca.
Na Bíblia, consta três referências ao objeto (chamado de "Kiymah"), em 9:7-9, Jó 38:31-33 e Amós 5:8. Amós foi escrito à mesma época que Ilíada, mas não há certeza sobre a data da escrita de (especulada entre os séculos III e V a.C., em torno do ano 1000 a.C. durante as regências dos reis Davi e Salomão, ou mesmo nos séculos XIII a XVI a.C., escrita por Moisés).
 
De acordo com a mitologia grega, o aglomerado recebeu o nome de "Sete Irmãs", representando sete filhas e seus pais.
Em língua japonesa, seu nome é "Subaru", inspiração para a indústria de automóveis de mesmo nome. O nome persa é "Soraya", nome feminino comum em vários países. Os gregos Eudoxo de Cnido (entre 403 e 350 a.C.) e Arato (cerca de 270 a.C.) listou as Plêiades em uma constelação própria, "Os Aglomeradores"
Segundo Robert Burnham Jr., o nome "Plêiades" pode ser derivado da palavra graga "navegar" ou de "pleios" (cheio, muitos). Entretanto, ha outros autores que afirmam que o nome é derivado da mãe das sete filhas, Pleione, que dá nome a uma das estrelas mais brilhantes do aglomerado. De acordo com a mitologia grega, as estrelas mais brilhantes do aglomerado receberam o nome das "sete filhas" de Atlas e Pleione: Alcíone, Asterope, Electra, Maia, Mérope, Taigete e Celeno.
John Michell, em 1767, usou as plêiades para calcular a probabilidade de encontrar um grupo estelar semelhante em qualquer local do céu por alinhamento de chances. Concluiu que a chence era 1 de 496 000. Portanto, e por causa de haver outros mais aglomerados semelhantes, ele concluiu corretamente que os aglomerados deveriam ser grupos estelares fisicamente ligados. O astrônomo francês Charles Messier incluiu as Plêiades como seu objeto número 45 na primeira versão do seu catálogo, em 1771. No catálogo de Messier, grandes e conhecidos objetos do céu profundo não foram incluídos, com as exceções da nebulosa de Órion, do aglomerado da Manjedoura e das Plêiades. Aparentemente, Messier decidiu fechar sua primeira edição do catálogo com 45 objetos, que seria o mais completo catálogo desse tipo na época, superando em três objetos o catálogo de Nicholas-Louis de Lacaille, publicado à mesma época.
Johann Heinrich von Mädler, em 1846, concluiu que as estrelas do aglomerado não tinham movimento mensurável uma em relação a outra, afirmando categoricamente que as estrelas pertenciam a um sistema estelar maior, com a estrela Alcíone em seu centro. Entretanto, essa afirmação foi rejeitada por outros astrônomo, em particular por Friedrich Georg Wilhelm Struve.>> Fonte internet