Ditoso seja aquele
que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as
esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem,
estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda
mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se
sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e
isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste de quem se sente
magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa
do pecado.
Luís Vaz de
Camões
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