Thursday, September 13, 2007

PLANTAR CRAVOS, AMORES-PERFEITOS ...na borda do vazio existencial.





<...Ser falante pode ser praga, mas ser escrevente é bênção.
É um dos possíveis destinos da pulsão.
De vida? De morte? O poeta não vive tais dicotomios...>
Uma que leve embora essa angústia, o solúço engasgado. Uma que traga de volta o sonho. Poesia é tentativa de realização de desejos. Difusos, confusos mesmo, os sentimentos só serão entendidos pelo autor depois. Depois de dar à luz sua poesia. ...(PSI-Gloria Leal Gloria Leal in Poesia: O Real e o Simbólico )

Escrever poesia é lidar com o mistério sem o compromisso, alías impossível, de explicá-lo.
Escrever como quem inspira (um verso) e expira (outro verso).

Exercício respiratório, associação livre de idéias, catarse, espasmo, orgasmo, seja o que for, faz bem.
Apesar do sofrimento de não conseguir dizer o que se deseja.
Como sempre. Apesar de o desejo não se inscrever, realiza-se, por alguns instantes,
o desejo de fazer uma poesia.

Plantar amores-perfeitos, narcisos e bromélias na borda do vazio existencial.
Lacan diz que em toda forma de sublimação o vazio será determinante e que toda arte
se caracteriza por um certo modo de organização em torno desse vazio.
Sublinha a importância da linguagem por lidar com o significante que
é "aquilo que, na ordem das artes, confere sua primazia à poesia."

Bachelard afirma que compete ao poeta “o dever de ensinar-nos a



incorporar as impressões de leveza em nossa vida,


a dar corpo a impressões quase sempre desprezadas” (BACHELARD, 2001: 199)



Os poetas trazem para o espaço do papel a
cosmicidade das imagens que evocam recordações
e devaneios, canalizando memória e imaginação na
essência das imagens poéticas. Assim, a poesia
passa a ser
“uma força de síntese para a existência
humana”
(BACHELARD, 2001: 119)



O Poeta une a imaginação e a memória, revelando
estados da alma e, ao mesmo tempo, sendo convite
ao devaneio poético:
“o poeta dá à imagem
um destino de grandeza”
(2001: 168 )
“a faculdade de formar imagens da realidade; é a faculdade de
formar imagens que ultrapassam a realidade, que cantam a realidade” (2002: 18).
A poesia constitui a matéria-prima para uma
fenomenologia da alma, pois suscita imagens A imaginação faz
a correspondência entre as imagens e as palavras
e, nesta associação, o poema é uma fonte de evocação da memória e da recordação.

Estudar as imagens da infância pela obra literária e pela palavra poética é uma

forma de adentrar neste universo misterioso da imaginação simbólica, pois a arte

é portadora de vozes que repercutem ecos ontológicos, voz que ecoa os tons da natureza

e do homem: espelho da humanidade.

A poesia é uma força de síntese para a existência
humana”
(BACHELARD, já que a poesia possibilita analisar a infância de forma tão mágica, que traz para o espaço do poema o mesmo maravilhamento da infância vivida..
BACHELARD,Gaston. A água e os Sonhos: Ensaio sobre a imaginação da matéria.São Paulo: Martins Fontes, 2002. 2001: 119)

2 comments:

equipe said...
This comment has been removed by the author.
Eliana said...

Que bom quando encontramos a imagem certa para te presentear
poeta AMIGA VI...melhor ainda
quando ela faz brotar inspiração
em flores...e que inspiração
Perfumada é a tua VI!!!
Sempre uma alegria enorme te visitar

beijinhos admirados e agradecidos