Friday, June 19, 2009

Linguagens A r e j a d a s

virgínia janeiro 09



Num primeiro momento a fruição estética fez-me parar diante da obra de Artista Fátima Queiroz. Seguiram-se associações e estas levaram-me a um episódio ocorrido em meados de 1981, quando meu filho estava com 1 ano
e meio de idade. Encantado, experimentando o mundo e já em primeiras sentenças expressando seus insigths . A que se relaciona à obra de Arte
acima, intitulei de – Porô , relato; Em suas expedições pela casa Joaquim , escolhia objetos e os trazia à minha frente deixando-os cair ao solo, propositalmente. Espatifavam-se aos cacos alguns, com seus olhos admirados, quando isto ocorria sentenciava - porô ! Corria à busca de outro e repetia a experiência. Eu assistia ao seu show aprendizado, durante dias, buscando entender o que estava ele a compreender e suas conclusões. Quando utilizava objetos inquebráveis, observava com mesma seriedade e brilho no olhar :
- não porô !Estava ele referindo-se a questão da resistência? Estaria dizendo - quebrou ? Ou estourou ? Referindo-se ao som ?Desaprendendo a ordens e valores e, aprendendo também a lidar com meu jovem pesquisador estava eu ,um pouco aflita, confusa e contente. Foram substituídos cristais por argila, madeira e palha. Providenciei uma oficina para que confeccionasse seus próprios artefatos poráveis.Foi nesta atmosfera que num final tarde qualquer, olhando as paredes de concreto de nossa casa, o adorável menino proclamou – tudo tem furinhos né mamãe !Com espanto respondi-lhe afirmativamente; a matéria é porosa , respira , em tudo há furinhos sim! Passei a pensar na necessidade de retomar o gosto pela Física, lembrando-me que à preferia juntamente com a Matemática e à Filosofia às outras disciplinas, para acompanhá-lo em diálogos pertinentes ...Entretanto a experiência Porô, foi encerrada, após este desafiante diálogo, com sucesso extraordinário, nada mais na casa foi quebrado.Iniciou-se na pesquisa de desmontagens, típica da fase e, às observações silenciosas do céu ! Ai meus sais! Astronomia era muito pra minha parca inteligência e falta de tempo, mesmo assim um pequeno telescópio e um microscópio foram as novas aquisições e as visitas ao Planetário e a Orquestra Sinfônica também agendados... E o tempo? Com a experiência compreendemos que se pode dar um jeito, que tudo é relativo mesmo e, afinal em tudo há furinhos , porável e impermanente é a existência ! Estava aberta a descobrir o tanto que não sabia sobre as palavras e a tornar-me novamente uma pequena cientista, levada pela curiosidade e amor do meu pequeno professor ! Com meus botões arejados ocorreu-me que Einstein teria divertido-se muito quando manteve correspondência com crianças...

4 comments:

Assis de Mello said...

Virgínia, obrigado pelo comentário em meu blog. Você tem um espaço e tanto aqui, com imagens lindas... Vou ler aos poucos.
Beijão,
Chico

virgínia além mar- peixe voador said...

caro Assis muito obrigada por me add, e visita no blog , vi que temos alguns amigos em comum entre outras afinidades, pintura, poesia , noites, florestas, um filho e respeito à biodiversidades ...adoro apreciar o escuro em passeio noturnos pelas trilhas da ilha ao som das ondas do mar , desejo aprender contigo amigo
abraços ecoartefilospsipoéticos

Eliana f.v. - Li Andorinha - said...

Emoção redobrada reler esse teu texto Virgínia querida!
Simplesmente maravilhosa a maneira
como nos envolve em teus escritos
Uma aventura sem igual...esse então
é um banho de ternura!!!
Uma linda lição de Amor!
Parabéns mais uma vez Vi
e sempre agradecida deixo meu carinho admirado
beijos carinhosos da Li

virgínia além mar- peixe voador said...

Luciana Pessanha disse...
Maravilhoso o seu texto, querida Virgínia! Amei a obra da artista Fátima Queiroz. Muito grata.
Beijos

20 de Junho de 2009 11:41 http:// discutindoliteraturacronicas.blogspot.com/2009/06/linguagens-r-e-j-d-s.html