Wednesday, June 17, 2009

Escrivaninha VI- O que, ou quem dá cor e tom à vida ?



O que, ou quem dá cor e tom à vida ?
virgínia fulber
A cor que vem de dentro transborda e ilumina, transforma a realidade empresta à vida aquarela... Pode em meio à chuva fina, um sorriso enfeitar a rua, como uma esplêndida sombrinha colorida, retalhado o cinza da tarde. Assim também o faz o regaço da amizade... Entre estas sem dúvida está a amizade à Sophia (sabedoria – do grego ). A arte reinterpreta a vida e é possível através dela ver como belo o que não fora assim visto, uma vez que nós humanos criamos os conceitos de belo, feio, bom e mau ...
O mau tempo pra alguns bem a outros pode ser-parecer, entrando no campo das relativizações e das complexidades.
O artista é um artífice da vida, na arte como saber criativo está implícita a abertura ao devir, característica da potência dos fortes assim lemos em Nietzsche, filósofo que amplia o conceito de arte não a limitando às obras de arte , estendendo-o à vida . Este em sua Gaia Ciência nos alerta que precisamos aprender dos artistas e, sobre o trabalho artístico fala-nos que ; Esta atividade, que pressupõe uma lenta preparação e um trabalho cotidiano, consistiria em perceber em seu conjunto tudo o que a natureza oferece de forças e fraquezas para, em seguida adaptá-la a um plano artístico, até que cada coisa apareça em sua arte e que as próprias fraquezas sejam de tal modo transmutadas que cheguem a ofuscar os olhos .
Embora o filósofo insiste que é preciso irmos além dos Artistas sendo mais sábios que estes... "essa força sutil que lhes é própria cessa geralmente onde termina a arte e começa a vida" ;Ao ultrapassar limites transgredindo o estabelecido o filósofo lança o desafio de também tornarmo-nos Poetas (criadores) da existência, mesmo nos fatos mais corriqueiros passando à reinterpretar e fazer uma releitura dos fatos do cotidiano. Podemos ler nesta mesma obra, A Gaia Ciência que "Uma única coisa é necessária-" àqueles de espírito forte -dar estilo a seu caráter , o que exige uma constante e laboriosa tarefa sobre si mesmo e que inclui um certo distanciamento ; em muitos casos esta verdadeira atividade artística empreendida por um tal homem superior pode perfeitamente lhe passar despercebida; Lê-se no Livro IV da obra em questão "Ilusão dos contemplativos",- " acredita situar-se como espectador e ouvinte diante do grande espetáculo que é a vida; diz que sua natureza é contemplativa e não se apercebe que é o verdadeiro poeta e criador da vida"


Jogos de luz e sombra conjugados, contrastes, nos possibilitam a riqueza da diversidade embora à alguns escape ainda a importância das forças contrárias,
inquietando-se sobremaneira diante à trágica condição humana. Nietzsche recupera o sentido trágico da existência em sua vida e obra.
Os artistas compreendem a importância dos jogos dos contrários em seu trabalho
mas nem sempre ampliam este conhecimento e o aplicam à vida. Assim como para o pintor, o cantor, o dançarino, o músico, o compositor, o escultor movimento contrasta com pausa, música com silêncios... Intervalos, nuances são necessários para um conjunto harmonioso...
Leitor e autor também são necessários para dar cor a um texto, à uma pintura dando seqüência à orquestração da vida em suas mais variadas possibilidades...
Para os já iniciados na senda da Filosofia e, demais leitores que apreciam textos filosóficos mais acadêmicos, deixo o convite ao Canal de Filosofia do Espaço Ecos no Portal VMD. Entre os colaboradores estão o filósofo contemporâneo Amauri Ferreira que ministra cursos e palastras na Escola Nômade sobre a obra de Nietzsche e a mestra em Filosofia gaúcha Mariah de Olivieri que identifica-se e trabalha com outros Filósofos que trabalham com o conceito de Arte. Sobre a obra de Nietzsche ainda, indico o trabalho de Alexandre Mendonça intitulado Ecce Homo um livro quase homem . Os autores trazem boas referências que creio ao iniciante despertam o desejo de ler na íntegra as obras de suma importância dos autores referenciados. Esperamos que novos leitores com suas interpretação singulares, tragam novas luzes sobre o que foi produzidos até então e, como co criadores possam não só produzir em si mesmos corpos potentes e mais felizes ( poéticos) mas uma sociedade em que haja apesar das diferenças, possíveis diálogos ...

1 comment:

virgínia além mar- peixe voador said...

Luciana Pessanha disse...
Aplausos, querida Virgínia! Maravilhoso! Muito grata.
Beijos

17 de Junho de 2009 20:47
Efigênia Coutinho disse...
O que, ou quem dá cor e tom à vida?

Estimada Virginia, receber este seu texto hoje, foi um presente dos Deuses, pois vejo sim, a vida na forma de cores em movimento, onde podemos nos movimentar com ela, dançar, cantar, viver, amar, ser, acontecer.

Meus cumprimentos pela preciosidade contidas em seu tema,
com admiração e respeito,
Efigênia Coutinho

17 de Junho de 2009 21:22
Chris Herrmann disse...
Parabéns, Vi, sua crônica é rica e enriquecedora a cada palavra. Sou sua fã. Ah, e que belíssima tela. Adorei!
Beijos,
Chris

18 de Junho de 2009 02:05
virgínia além mar- peixe voador disse...
Talentosas Escritoras e Poetas Luciana, Efigenia e Chris,
agradeço a receptividade.
abraços na ressonância artefilospsipoéticos
virgínia

18 de Junho de 2009 08:45
http://discutindoliteraturacronicas.blogspot.com/2009/06/o-que-ou-quem-da-cor-e-tom-vida.html#comments